Tô esperando as opiniões do Guther e do Izquierdo sobre meu blog. Até porque já estou inserindo os links para o
site do Guther.
Postei um artigo meu, sobre a palestra de Jean Paul Jacob (29/05), na lista
ComunidadeVirtual. O Izquierdo e o André Mello fizeram alguns comentários bem pertinentes. Segue aí, na ordem, meu artigo e os respectivos comentários:
Presentes do futuroQualidade de vida. Quem não quer? A busca é interminável, e todos sonhamos com o dia em que possamos usufruir de todas as benesses possíveis, preferencialmente sem custos --talvez neste detalhe esteja a utopia.
Mas o grande problema é conseguirmos compartilhar esta qualidade de vida com todos os 6 bilhões de companheiros de viagem dessa nave-Terra. As tecnologias estão cada vez mais acessíveis mas, mais que a questão da democratização desses novos meios, há que se atentar para o norteamento ético que esta evolução deva seguir.
Pesquisador da IBM há 40 anos, o brasileiro
Jean Paul Jacob vive no Vale do Silício, integrando um exército de centenas de "professores-Pardais" que passam os dias prevendo --e "fabricando"-- o futuro. Ele afirma que o objetivo maior das pesquisas é fazer com que a tecnologia traga mais qualidade de vida à humanidade. Bonito, não? Mas, como tudo, tem um preço. E que talvez seja bem salgado...
Boa parte das pesquisas da IBM se dirigem a minimizar todos os esforços humanos. Num resumo bastante simplista: a partir de microchips instalados sob a pele, contendo todas informações sobre a pessoa, teríamos acesso a todos os tipos de serviços (públicos, comerciais etc.) sem precisar mover um dedo. Portas se abrem (ou se fecham), compras são feitas, diagnósticos médicos são elaborados... tudo a partir daquele microchip que contém um banco de dados com todas as informações sobre o cidadão.
Cidadão? Pois, é... Se uma tecnologia dessa pode trazer todos estes benefícios, pode também custar seu precioso status de cidadão. Cada um de nós estaria completamente vulnerável e à disposição do
Big Brother, e "privacidade" seria uma palavra a mais no dicionário, apenas. Sem nenhum significado.
O
"marketing hacker" Hernani Dimantas observou que não conseguiremos segurar os avanços tecnológicos, mas a sociedade civil vai lutar para preservar sua privacidade.
"Não vejo possibilidade da implementação de uma biometricidade selvagem e nem de "chipezização" do corpo humano. Organizações como o EFF e CDT não vão aceitar este tipo de invasão à privacidade", ressalta Dimantas.
Microchips subcutâneos e o controle total dos (ex-)cidadãos cheiram a teorias conspiratórias ou ficções pessimistas sobre o futuro. Mas, sob essa aura misteriosa, esconde-se muita realidade. São tecnologias que já existem, e estuda-se apenas o barateamento dos custos para que sejam mais popularizadas. Ou não. Isso porque ninguém (?) sabe ao certo até que ponto, e com que fins específicos, as pesquisas de Jacob e centenas de outros são utilizadas.
O futuro dos laboratórios da IBM, e de tantas outras empresas, já existe. Estaremos dispostos a pagar tal preço pela ambicionada "qualidade de vida"?
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EFF - Electronic Frontier Foundation::
EPIC - Electronic Privacy Information Center::
CDT - Center of Democracy and Technology
Izquierdo wrote
Eu acho que há algo mais a considerar. O que o Jacob apresentou é a face "pública" da pesquisa da IBM. Eu imagino o que poder haver por trás. Um dos grandes argumentos dos que refutam a possibilidade de haver algo semelhante a um
"Big Brother" é a suposta impossibilidade do monitoramento de todas as mensagens, para o qual seria necessário um sistema de controle ainda maior do que o próprio sistema monitorado, o que levaria à sua impossibilidade prática (ou controle por amostragem, que se demonstra quase ineficaz - leve-se em conta o exemplo do
"Panóptico").
Entretanto, podemos levar em conta os avanços na chamada "Inteligência Artificial", em sistemas de reconhecimento e itnerpretação de voz, e o ainda mais simples monitoramento de mensagens eletrônicas - vide o
Echelon.
Esqueçamos a privacidade?
André Mello wrote
Gostei do artigo. E fiquei realmente assustado quando cruzei o seu artigo com a entrevista do
Angeli na revista
Caros Amigos deste mês... Embora você não o fale concretamente, e ainda que Angeli apresente uma crítica ácida, ambos nos deixam ver que as futuras gerações determinarão o futuro das novas tecnologias. E o que a nova geração quer? DINHEIRO.
A pergunta não é se permitirão a invasão da privacidade... Mas, sim, "venderão a alma?"
E aí, moçada, convoco os que têm menos de 30 para o debate! Afinal de contas, serão eles que terão que votar no plebiscito do CHIP!
Com a valiosa ajuda do
Hernani Dimantas, acabei de inaugurar meu blog. Este foi só o pontapé inicial; agora, quero estudar o quê e como vou postar aqui... heheh. Além das elocubrações diárias, em breve quero disponibilizar alguns pretensos escritos meus. De qualquer maneira, cá estamos!!!