29.06.2009
:: Levanta, Sacode a Poeira... ::
Só pra espanar a poeira e começar a semana, fiquemos com a dica do Xico Sá,
in*A Arte de Jogar Conversa Fora*:
O mentiroso de qualquer espécie sabe que a recreação, e não a instrução, é a alma da conversa e acaba sendo muito mais civilizado do que o cabeça-dura que fica alardeando sua desconfiança em relação a uma história que é contada apenas para entreter a platéia.
[Mais lá n'O Carapuceiro]
18.06.2009
:: Mussum e a Pindureta ::
 | Ô, sôdade... Bons tempos em que não tinha essa praga estéril (?!?) do politicamente correto. Saúde! |
:: MTb 25.626 ::
É a pauta do dia:
STF revoga exigência de diploma pra jornalista. De minha parte, nunca fui a favor da obrigatoriedade -- o título do post é o meu registro profissional, que fique aí pra constar, só. Mas, como essa é uma discussão que sempre dá pano pra manga, prefiro deixar aqui uma pequena coletânea do que a blogosfera já produziu.
Lá do
Sakamoto:
*refletir sobre sua própria prática, dentro de uma ética específica, sabendo o que significa o papel de intermediar a informação na sociedade, ter a consciência dos direitos e deveres atrelados à liberdade de expressão são desafios que não são aprendidos necessariamenente na academia* -- e que se registrem os toscos argumentos do Gilmar Mendes. Já o
Barone comemora: viva o Jornalismo!
Agora, os nossos cursos superiores de Jornalismo terão que ser o que eles são (...): um diferencial na formação de profissionais e não uma fábrica de diplomas.
Ou, como disse o
Alessandro,
talvez agora as faculdades ensinem algo... Mais ou menos nessa linha, a
Cris Rodrigues [de quem roubei a ilustraçãozinha] anota:
Vejo a democratização do acesso como uma utopia a ser atingida quando o nível de educação do Brasil atingir uma qualidade alta.
Já o
PDoria resume: agora,
todo jornalista é jornalista. Ponto. Cá pra mim, no meio disso tudo fico, sempre, com o
Cláudio Abramo:
*minha ética é a mesma ética do açougueiro, do jornaleiro, do cidadão* (algo assim, mais ou menos, cito de cabeça).
Pra alimentar ainda mais o papo, vale a pena conferir o
Idelber, que também fez um catado com vários textos. Enquanto isso, a
Aninha comenta sobre o
hacker-journalist.
E, pra quem defende o corporativismo, o
Henrique manda a sugestão, direto de Madri:
*Associación de Vendedores de Melones y Sandias en Puestos de Temporada de la Comunidad de Madri*
Pra finalizar, que fiquemos combinados: às favas com algumas imposições da reforma ortográfica. Neste Alfarrábio, as idéias continuam a ter acento e assento; e meto os hífens na dona-de-casa sem pudor. Já o trema, aboli faz tempo -- que se mantenha o da Bünchen, que é bonitinho.
17.06.2009
:: #pedreiro_geek ::
Cantadas 2.0, ou nem tanto. Peguei só algumas, tem muito mais
aqui:
você tem bluetooth? porque foi só passar que tive um Update Automático… #pedreiro_geek
e aí, gata, tá a fim de depurar o meu bug? #pedreiro_geek
-gata, vc trabalha no google? -não, pq? -Pq tudo que eu procuro, acho em vc. #pedreiro_geek_romântico
se você fosse um sanduíche, te chamava de X-ML. #pedreiro_geek
140 caracteres é pouco para o que vou fazer com você. #pedreiro_geek
[Dica lá da webess] 10.06.2009
:: Trezentos ::
Samadeu avisa: tá no ar o
Trezentos. Muita gente bacana, incluindo vários amigxs. O feed já tá devidamente assinado.
Segue o manifesto de lançamento:
*Trezentos é um blog coletivo. Muitos autores, muitos temas e muitas visões. O que nos une? A idéia de que a vida não se limita as relações de mercado capitalistas. Que profundas transformações estão em curso e sua turbulência já foi percebida. A sociedade é conflito e equilíbrio. Estamos aqui no ciberespaço, um lugar demasiadamente amplo, um não-lugar, o espaço dos fluxos. Uma realidade virtual que permite articular nossas ações presenciais. Não estamos em uma garganta. Não pretendemos defender nenhum estreito. Não gostamos de gatekeepers e de todos aqueles que querem diminuir ou bloquear a liberdade e a diversidade cultural. Somos trezentos e queremos passar, gostamos de compartilhar nossas idéias, defendemos as redes P2P. Por isso, não somos de Esparta. Somos amigos do Mário. Que Mario? Aquele que…
*Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta,
As sensações renascem de si mesmas sem repouso,
Ôh espelhos, ôh Pireneus! Ôh caiçaras!
Si um deus morrer, irei no Piauí buscar outro!*
[Mário de Andrade, Eu Sou Trezentos]
09.06.2009
:: Arcaísmos Ecadianos ::
Tenho boas lembranças das festas juninas. Quando eu era moleque, as festas nas escolas, nos bairros e mesmo algumas particulares eram sempre propícias pra paqueras, além da confraternização geral. Hoje, essa praga de breganejo tomou conta, e a pasteurização gringa mata o que ainda resta de autêntico na nossa caipirice.
Mas, afora saudosismos, o que me chamou a atenção foi uma noticinha que me chegou via alguma newsletter:
Ecad faz campanha para orientar usuários nas festas juninas
O Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) está enviando malas-diretas a escolas públicas e particulares, prefeituras, associações de moradores, igrejas, clubes, entre outros usuários de música.
As malas-diretas fazem parte de uma campanha de esclarecimento sobre a necessidade da autorização prévia para a realização dos eventos juninos, que é feita através de pagamento ao Ecad. O pagamento dos direitos autorais relativos à execução pública das músicas é devido, independentemente da festa ter ou não finalidade de lucro. Neste ano, a campanha do Ecad traz o tema “Correio do Amor”, uma brincadeira típica das festas juninas.
Definitivamente, isso é uma das coisas mais toscas que ilustra como esse povo que ainda defende a propriedade a qualquer custo tá cada vez mais desesperado. Aquela ingênua quermesse que arrecada uma graninha pra uma obra qualquer, a festinha na escola ou o arraiá no sítio só pra juntar os amigos -- a fúria arrecadatória
(pra usar um termo batido aplicado a governos municipais, estaduais ou federal) não perdoa ninguém. Basta uma rápida busca pra ver a
quantas anda esse negócio.
Na wikipédia,
é de doer:
[o Ecad] É uma instituição privada sem fins lucrativos criada pela Lei nº5.988/73 e mantida pela Lei Federal nº 9.610/98.
[...] Administrado por dez associações de música para realizar a arrecadação e a distribuição de direitos autorais decorrentes da execução pública de músicas nacionais e estrangeiras, permite que o Brasil seja um dos mais avançados países em relação à distribuição de direitos autorais de execução pública musical.
Bom, resta-me rir. Mas é lindo ver todo esse esquemão ruir cada vez mais. Quanto mais desesperados, mais ridículos esses caras ficam. Enquanto isso, a gente fica com a
CC, combinado?
04.06.2009
:: Sim, sou Vira-latas ::
Somos vira-latas, abusamos da gambiarra, estamos sempre prontos pra colaborar com o puxadinho. Se-virismo é com a gente mêsss. Dessa vez, o
SLeo que me desculpe, mas faço minhas as palavras dele
(lógico que tive que corrigir os erros de digitação do Mestre, que é desleixado que só):
Vira-lata não tem complexo
"Se só tem no Brasil e não é jabuticaba? Boa coisa não é."
[...] "complexo de vira-lata". O vira-lata é antropofágico, mangue beat, tropicalista; ele não quer saber do que pode não dar certo, não tem nada a perder. É confiante, tinhoso, furão, malandro, virador, ousado e safado. É arrogante, desrespeitoso, debochado, É diplomático e esperto; sabe quando deve fingir que cedeu, para arrancar o que quer, e sabe sempre o que quer, não desiste nunca.
Complexo de vira-latas, só se for de superioridade. O vira-lata sabe que propriedade é uma ficção humana, que tudo é uma questão de vigilância e punição, e que quem corre mais rápido deixa o vagaroso para os leões. O vira-lata não vacila, não se rende, não se deixa prender, ele sabe dos caminhos e dos desvios do mundo.
O vira-lata é miscigenado, é multicultural, é plural e complexo. Não é previsível, e é amistoso, quando lhe convém. É simpático, é charmoso, é simples e adorável.
Já o cão de raça é amestrado, domesticado, condicionado. Sabe quem é seu dono, é manhoso e idiossincrático. De saúde frágil, e caráter simplório. Ele é quem tem complexo, de inferioridade, de submissão ao detentor da coleira, da focinheira, do enforcador, do treinador, da feira de cães. É um pobre lacaio, ou segurança, ou serviçal. É bonito, como uma sebe bem aparada. É um animal desanimalizado.
Tenhamos todos complexo de vira-lata. E mordamos sem dó a canela de quem atravessar nosso caminho.
Íntegra,
aqui.
Mas, a propósito, minha irmã tá com uns filhotinhos 100% vira-latas-puro-sangue pra doar -- chegaram sete de uma vez só, meio que sem avisar. Interessados podem entrar em contato com este alfarrabista. Ó só as pecinhas:
:: Répibãrsdêitumí ::
Hoje, 4 de junho, este Alfarrábio completa
oito anos de atividades. Em grande parte, o culpado é o
HdHd. Reclamações podem ser encaminhadas a ele; elogios, se houver, pra mim mesmo. Tim-tim =^)