
Desce a última página do Jornal do Brasil[Direto d´O Globo, via ViuIsso, via Observatório da Imprensa]
por Joaquim Ferreira dos Santos
Descansa em paz JB que amanhã pela manhã, quando chegar às bancas a edição do dia 31 de gosto de 2010, esgota seu deadline neste vale de resmas de papel, e alguém vai gritar o definitivo “Parem as máquinas” num cantinho malassombrado da Avenida Brasil 500.
Penteia o teu último nariz de cera, JB, pede ao Joaquim Campelo para copidescar uma pirâmide invertida que está na página três, diz ao Gabeira para pesquisar a capa que o Alberto Dines fez do AI-5 – e desce a página para o túmulo dos grandes jornais.
Capa da edição de 14 de dezembro de 1968
Leva um abraço com bafo de uísque para o Zózimo Barroso do Amaral, sempre circulando entre as mesas, já sem o smoking da festa de ontem à noite, e pedindo pelo amor de Deus uma notinha. O foca dizia qualquer coisa que tinha acabado de ver na rua, para que o espírito caminhante de Zózimo sossegasse o facho e ele pudesse escrever a matéria. No dia seguinte, a notinha, um quase nada, uma bolha de sabão, estava impressa no jornal com um charme que enfeitiçaria dezenas de colunistas em gerações futuras, todos frustrados em tentar a mesma leveza e humor sofisticado, mas definitivamente sem conseguir o mesmo buquê do Zózimo.
Dúvida do general
Descansem em paz o velho atrasador de jornal, o calhau, o bandejão, o Brito’s, o plantão na porta do embaixador sequestrado, e também o ascensorista Vovô, o senhor negro encaixotado o dia inteiro em sua jaula de alumínio da Atlas e que quando passava pelo andar da redação anunciava “Parque de diversões”.
Seus antepassados tinham sido escravos, ele passara a infância capinando na roça, e não entendia que aquela gente de terno, jogando bolinha de papel amassado umas nas outras, pudesse estar trabalhando.
Acabou de rodar a última edição, JB, não se ouvem mais as Remington, mas a fumaça dos cigarros fumados por todos aqueles anos ainda toma o ambiente. Chegou a última notícia, e ela diz que é hora de tomar a saideira naquele sujinho na Leopoldina.
Descansa em paz pescoção das sextas-feiras, quando a turma do Esporte passava uma lista de contribuições pelas demais editorias e abria um garrafa de White Horse para que ficasse mais suave cavalgar noite adentro no dorso selvagem de títulos de três de 13. Descansem em paz Oldemário Touguinhó, Luarlindo Ernesto, nomes mais fabulosos da História do jornalismo brasileiro, superiores ao de Oderfla Almeida, o Alfredo ao contrário, que também já se foi e nunca teve a felicidade de trabalhar no JB da Condessa, da Cleusa Maria, da Susana Schild, da Norma Couri e de todas aquelas avançadíssimas moças do Caderno B, num tempo em que redação era coisa de macho.
Descansa em paz, Carlinhos de Oliveira, cronista atormentado de três textos semanais, muitos escritos na varanda do Antonio’s, muitos de olho em alguma cocota que passava e, como já era comum no Leblon, antes mesmo de Herbert Vianna anunciar no Paralamas, elas não olhavam para Carlinhos porque, embora gênio, o cronista usava óculos.
Descansa em paz o dia em que a condessa recebeu a figura augusta do general Costa e Silva. Depois de atravessar com o sujeito pela redação, a condessa disse que no dia seguinte seria publicada uma reportagem sobre a visita. “Tem elogio?”, perguntou o general. A dona do jornal desconversou. Disse que era uma reportagem descritiva, como são as boas reportagens. O general dispensou. “Se for assim, não precisa, eu gosto mesmo é de elogio.”
Chamada de primeira
Descansem em paz todas as histórias folclóricas de redação, todos os estagiários que foram encarregados de pegar a calandra e entregar ao editorialista Wilson Figueiredo. Soltem-se todos os balões que o Alberto Ferreira, o chefe da fotografia, autor da foto da bicicleta do Pelé, esticava no chão do laboratório. Chegou a hora triste de pautar um repórter para fazer a ronda dos cemitérios e descobrir que o morto de hoje é o próprio jornal. Escreva-se o funéreo com a elegância que formou várias gerações de grandes jornalistas e ajudou a fundar o espírito de uma cidade. Sem pieguismo, que os neoconcretistas não vão gostar. Pau na máquina. Fecha com a foto da freira caída na frente do ônibus, do Evandro Teixeira.
Descansem em paz Wilson Coutinho, a lauda de 30 linhas e 72 toques, e mais ainda Mara Caballero, a diagramação sem fios do Amilcar de Castro, os disfarces de mendigo do Tim Lopes, o elefantinho, o ele da primeira página, os classificados de troca de casais, os velhos homens de imprensa, as estagiárias da pesquisa, a reportagem geral com 53 repórteres e o especial do Caderno B em que Lena Frias mostrou para toda a Zona Sul que do outro lado do túnel havia outra cidade cultural, o Black Rio.
Descansem em paz a matéria com cópia em papel-carbono, o salário ambiente, o suplemento literário, o diretor que assediou a secretária e provocou uma passeata na Rio Branco, e também o dia em que o editor jogou para o alto o juramento que fez sobre a Bíblia de Gutenberg. Ele não resistiu e colocou na primeira página de uma segunda-feira a foto daquela repórter da Geral que tinha o mais belo bumbum da redação e fora flagrada, de biquíni, em Ipanema, em toda a exibição orgulhosa de seu trunfo, pelo fotógrafo que fazia a inevitável matéria sobre o movimento das praias no domingo. Descansa em paz a lenda de que se ganhava pouco mas era divertido.
É hora de descer a última página e, como nos artigos de Dom Marcos Barbosa, reunir todos os que se formaram naquela redação para dizer muito obrigado e amém.
P.S.: Não esquece de chamar na primeira.
O Sinhô é meu pastô e nada há de me fartá
Ele me faiz caminhá pelos verde capinzá
Ele tamém me leva pros corgos de água carma
Inda que eu tenha qui andá
nos buraco assombrado
lá pelas encruzinhada do capeta
não careço tê medo di nada a-modo-de-quê
Ele é mais forte que o "coisa-ruim"
Ele sempre nos aprepara uma boa bóia
na frente di tudo quanto é maracutaia
E é assim que um dia quando a gente tivé
mais-pra-lá-do-qui-pra-cá
nóis vai morá no rancho do Sinhô
pra inté nunca mais se acabá...
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quando já não havia mais esperança, surge do caos no Haiti a imagem de um menino de 8 anos resgatado com vida dos escombros de sua casa. Magro, ferido, desidratado, ele olha para a lente do fotógrafo, abre os braços esticados para o ar, que quase lhe faltou por completo, como se quisesse agarrar a própria vida. E sorri um sorriso impossível de descrever porque a imagem diz tudo. Inesquecível. Assista o vídeo, da CNN.Só um adendo, Adriana, por mais piegas que seja: sorriso impossível de descrever, mas prova de que sorrisos são sempre possíveis ;-)

![]() | Haydé Mercedes Sosa [*9/7/1935 +4/10/2009] *Yo tengo tantos hermanos Que no los puedo contar En el vale en la montaña En la pampa y en el mar Cada cual con sus trabajos Con sus sueños cada cual Con la esperanza adelante Con los recuerdos de trás Yo tengo tantos hermanos Que no los puedo contar |
Mercedes Sosa: *eles* temem o escuroTerceiro clichê: pô, assim não vale... o Paulinho truca, e vem a Chefinha, a.k.a. Nydia, com o zape na manga, tascando um meia-dúzia na testa. Foi nos comentários, mas vem pra cá:
Pude assistir a um único show de Mercedes Sosa. No Gigantinho, em Porto Alegre, final dos anos 70, antes de ela partir da Argentina para o exílio europeu.
A Negra estava cantando maravilhosamente (Duerme negrito era uma das mais pedidas, à época) e nós a ouvíamos apaixonados. Nisso, paramilitares estouraram algumas bombas de gás lacrimogêneo atrás da platéia, perto de onde eu estava. Houve um princípio de pânico, pessoas começando a correr, a tentar sair, a se atropelar.
Foi quando Mercedes percebeu o que estava havendo e disse, com sua voz poderosa:
- Acalmem, acalmem. Abaixem-se o mais que possam e respirem através de algum pano. E acendam as luzes. “Eles” só sabem agir no escuro. Têm medo da luz.”
E assim foi. Gigantinho totalmente lotado, as pessoas permaneceram em seus lugares, já sem pânico, confiantes na orientação da Negra, que reiniciou a cantar. O gás subiu e se dispersou. E o show seguiu tranquilo até o final. Seguro. Emocionante.
Pois eu vou contar um causo também. Meu primeiro emprego, quando estava na faculdade (faz só um tempinho) foi numa produtora de shows que se chamava terra Viva, e o primeiro show que ajudei a produzir foi o primeiro da Mercedes Sosa no Brasil. Foi uma das maiores emoções que senti. Foi durante a ditadura, na década de 70. bjosMas não pára por aí [tá, eu sei que a nova ortografia derrubou o acento de pára, mas eu sô teimoso]: logo em seguida, a Nydia me liga contando que, entre outros, ela trabalhou na produção do show *Ser Tão Sertão* (uma bela referência tá aqui) -- nada menos que o Lima Duarte declamando textos do Guimarães Rosa, com o Rolando Boldrin cuidando da trilha sonora. Se ela ligou pra me provocar, conseguiu...
Na vida moderna, não há como negar que um aparelho televisor, presente na quase totalidade dos lares, é considerado bem essencial. Sem ele, como o autor poderia assistir as gostosas do Big Brother, ou o Jornal Nacional, ou um jogo do Americano x Macaé, ou principalmente jogo do Flamengo, do qual o autor se declarou torcedor? Se o autor fosse torcedor do Fluminense ou do Vasco, não haveria a necessidade de haver televisor, já que para sofrer não se precisa de televisão.Se alguém duvida, é só conferir no site do TJ-RJ,
-- Muitas crianças palestinas estão morrendo, e poucas crianças isralenses estão morrendo. Por que nós cuidamos das nossas crianças.Que esse fdp arda pra sempre no inferno.
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Mulher morre após ser atingida pelo caixão do companheiro em Tapes[Via LARyff]