20.10.2013

:: Quadro no Masp ::

Já pedi e insisti, incontáveis vezes, pro Rai soltar a mão e escrever mais. Por quê? Segue só um pequeno exemplo, textim dele, enviado especialmente pro Alfarrábio:
esquálido, perpendicular como um guindaste de obra, mas nada fixo, suave, meio noia, passando um pano, logo cedo, antes das sete, quase nada, só uma silhueta, ao sol, do vão do museu indo ao mirante, olhar que não se via. o distanciamento.

amarrotado, perdido em moderníssimo parangolé, feito de cobertor, vagabundo, fibras toscas, sem cor alguma, nobre como púrpura, transido, ostentação de passarela, bem curtido, impregnado, do odor das ruas, para outros olhos. o abençoado.

perdido, fincado em pés de gárgula, garatujando escrita meio divina, cambaleante, esvaziado de razão, indeciso, rasgando o chão, no vento, passarim sem asa quando debruça aborta o voo, sombra sem parede, moldura sem quadro. saco vazio que para em pé.

desbotado, sem lugar para sair, sem lugar para ficar, achando um canto, caçando nota, sinfonia qualquer, engolindo lamento, marcando um passo, um epitáfio, de algum lugar, alguém que nunca se importa. alma esburacada que não se enterra.

e assim, meio de lado, ungido de auréola, pelo ao contrário, carregando as luzes, coroado, gravado em pincel divino, descabelado feito loureiro de dafne, em plenitude, perdoando tudo. cabeça de medusa, antes da ira de minerva.
Vai, Rai, ser gauche na vida. Mas escreva, cara!
Por Paulo Bicarato, às 22:23 de 20.10.2013 - Comentem!
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21.11.2012

:: Escreva, Temulento! ::

19/11. Logo pela manhã, o camarada-copoanheiro Rai me chama no chat e avisa: *hoje é o níver da morte do Rosa, né?*

E conta:
Rai
*Hoje, quando saí de casa, comecei a pensar no Rosa; passou ontem um documentário legal sobre ele no canal Futura. E, vindo pro trampo, comecei a pensar nas personas dele. 'Cê acredita que na Xavier de Toledo tinha um mano sentado em uma lixeira, dessas que fica pendurada em poste, parecendo um jagunço no cavalo?
Aí depois vi um tiozinho no Viaduto do Chá falando umas coisas e apontando: já fui logo vendo o velho do Recado do Morro. Quando cheguei perto ele tava falando "dólar, dólar, compro dólar". Chegando na esquina vi uma menina com um vestido meio rendado, preto, cheio de pontas, com guarda-chuva andando meio atarantada, apressada.
Vi até um cacho de banana, quase granado, no quintalzinho da biblioteca Mário de Andrade. Vou caçar um perdigueiro.*
Já cobrei o cabra, mas é um relaxado que só: escreva mais e compartilhe esse dom com a gente, pô! Essa sensibilidade de *ver* (*o senhor mire veja*, né?) personagens roseanas no meio da fauna paulistana é coisa rara.

Pensando bem, aliás, o Rai é uma típica persona roseana: um Riobaldo desfiando causos, um mineirim de Passos sertanejando na Paulicéia. Mas que tem que escrever, botar esses causos no papel, isso tem! Fica aqui a minha cobrança pública -- alguém mais adere?
Por Paulo Bicarato, às 12:12 de 21.11.2012 - Comentem!
Categoria: Coleguinhas

06.07.2011

:: Inferno do Duda ::

São nove círculos, e talvez por distração o Duda se esqueceu de mencionar jornalistas que usam e abusam do copy&paste. Nesse quesito, portanto, acho que tô fora -- em outros, porém, acho melhor eu me precaver... quem nunca cometeu um dos pecados abaixo que atire a primeira lauda. Com vocês, O Inferno de Duda, direto do Desilusões perdidas, by Duda Rangel:
Já imaginou o Inferno habitado só por jornalistas? Republico aqui minha viagem dantesca ao cafofo de Lúcifer, acompanhado do jornalista Luiz Carlos Alborghetti, que por conhecer bem o pedaço assume o papel de meu guia, meu Virgilio. A jornada espiritual começa no limbo, uma espécie de ante-sala do Inferno, e percorre os nove círculos.

Limbo: é o local onde ficam os jornalistas que fizeram algo de louvável, mas não escaparam do Inferno simplesmente porque escolheram ser jornalista. São os que denunciavam ministros picaretas, falsos doutores, os que defendiam a Amazônia. O local também abriga os críticos que detonavam os livros do Paulo Coelho ou os discos da Preta Gil. Vivem uma vida bem classe média. Nunca chegarão ao Paraíso, mas também não queimarão a bunda nos andares mais baixos do Inferno.

2º círculo (luxuriosos, sedutores e sacanas em geral): é onde ficam os jornalistas que sempre tentaram comer as estagiárias gostosas da redação. Lá também estão os que gostavam de impressionar as mulheres com o “status” de jornalista, no melhor estilo Bozó, da Rede Globo. No Inferno, vivem isolados, condenados ao onanismo eterno. Ao chegar, recebem uma Playboy da Fernanda Young e um pôster da guerrilheira Dilma Rousseff.

3º círculo (gulosos): é onde ficam os jabazeiros, gente que adorava um bom vinho de presente, uma viagem ao Caribe a convite de alguém, vernissages e bocas-livres em geral. Na morada do Capeta, o único presente que podem receber é o DVD Preta Gil Ao Vivo, autografado pela cantora. Em vez de jantares chiques, vão às festas da laje do círculo, com churrasco de gato, cerveja morna e, claro, muita música da filha do Gilberto.

4º círculo (avarentos): é o espaço reservado aos jornalistas que davam “carteirada” para assistir a eventos esportivos ou espetáculos culturais na faixa. Usavam a velha desculpa de estar a trabalho só para não pagar. No Inferno, são obrigados a viver em uma casa de shows velha, cheia de baratas e sem ar-condicionado. O calor passa dos 50 graus. Ficam o dia inteiro assistindo a um mesmo show, de Suzana Black, a Preta Gil cover.

5º círculo (assessores de imprensa do mal): o espaço é destinado aos que enviavam releases com informações inverídicas, que vendiam uma pauta exclusiva para vários jornais, que ligavam para a redação na hora do fechamento ou eram chatos no follow-up. Como castigo, passam 24 horas ao telefone, recebendo propostas de aquisição de cartão de crédito e internet banda larga. Os assessores do bem vão para o limbo.

6º círculo (vaidosos e competitivos): são os jornalistas que faziam de tudo para conseguir um furo de reportagem, mesmo que para isso tivessem que puxar o tapete de um colega. Sonhavam com prêmios. São os que sonegavam informações aos amigos e se debruçavam sobre a tela do computador para que ninguém descobrisse sua “grande matéria”. Hoje, atuam como rádio-escuta no jornal oficial do Inferno, para ajudar os colegas. O único furo que dão é para o Capeta, mas não precisamos entrar em detalhes.

7º círculo (abutres em geral): local reservado aos sensacionalistas, que alavancavam a audiência de seus noticiários explorando a desgraça e a miséria alheias. Têm a companhia dos invasores de privacidade, paparazzi e afins. É onde vive o Alborghetti. Ele aproveita e me serve um cafezinho. Frio. No Inferno, eles são condenados a editar um tablóide diário em que reportam os próprios castigos a que são submetidos, tudo com muito drama e sofrimento. Afinal, o Capeta também gosta de uma imprensa marrom.

8º círculo (mentirosos e caluniadores): é um grupo formado por pecadores de respeito, que mancham a reputação da crasse. São os que inventavam matérias, criavam factóides, tudo com o objetivo de difamar o outro. Sofrem um dos piores castigos: diariamente são publicadas, no jornal oficial do Inferno, notícias falsas que denigrem a imagem destes pecadores. Sem direito de resposta.

9º círculo (vendidos e subornadores): estão no nível mais baixo do Inferno, os pecadores de alta periculosidade. São os que, em vida, tiveram o rabo preso e serviram apenas a interesses obscuros. Lá também estão os que publicavam informações mediante vantagem financeira e os que subornavam fontes em troca de privilégios. São os que ardem nas profundezas. No Inferno, até tentam negociar algum tipo de benefício, mas o Capeta, que não é bobo, não dá a mínima. Só faz aumentar o tamanho da labareda.
Por Paulo Bicarato, às 13:18 de 06.07.2011 - Comentem!
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23.11.2010

:: Como Matar uma Pauta ::

Ah, saudades da boa e velha *Reportagem*, com *R* maiúsculo... Há, graças a Deus, ótimos repórteres – como o Fred Melo Paiva, entre outros --, mas infelizmente parece que estão em extinção. Mas o que me instigou a escrever esse post foi um exemplo notável de como uma pauta fantástica pode ser queimada jogada no lixo, resumida ao jornalismo burocrático, frio. Ontem, foi na TV Vanguarda:
Em Ilhabela, pai e filha vivem em caixa no mar e despertam a curiosidade de quem passa pela balsa
e, hoje, no jornal OVale
Acredite, dupla vive em caixote no mar de Ilhabela
Pelo jeito, a pauta ainda tá lá, à espera de algum Repórter que tenha paciência, fique uns bons dias tentando abordar a dupla, tentar tirar algo da história de vida dos dois. A propósito, impossível não associar a história à Terceira Margem do Rio, do Rosa.

E, sim, faço minha mea culpa: abraçaria com gosto essa pauta, mas... ah, a roda-viva! Mas tenho certeza de que alguém vai me redimir.

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Por Paulo Bicarato, às 10:15 de 23.11.2010 - 5 comentários
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02.03.2010

:: Como Empobrecer uma Profissão ::

Quem me conhece sabe que nunca fui, nem tenho vocação corporativista ou classista. Mas uma notícia dessa é, digamos, constrangedora, pra qualquer profissional. Que ninguém me peça, pelamordeDeus, que eu reconheça um cara desses como colega de profissão. Direto do Portal Imprensa:
Edir Macedo consegue na Justiça que sindicato o reconheça como jornalista

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região determinou que o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro (SJPMRJ) conceda carteira de jornalista ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) e proprietário da Rede Record. A decisão, ajuizada pelo desembargador Fernando Marques, atende a recurso impetrado por Macedo em 2001, quando ele teve pedido de registro negado pelo sindicato.

Até a decisão, o bispo possuía carteira de jornalista colaborador e o sindicato exigia registro de jornalista profissional. Em agosto, dois meses após o Supremo Tribunal Federal (STF) ter derrubado a obrigatoriedade do diploma, a Justiça decidiu em favor de Macedo. Apesar do recurso ter sido aprovado há seis meses, apenas em fevereiro o sindicato foi notificado. [segue...]
E, em que pese minha observação inicial, vale a pena ler o comentário do Alberto Dines no Observatório da Imprensa:
Bispo quer a carteirinha de jornalista

O bispo-empresário Edir Macedo insiste em ser jornalista. É dono de uma poderosa rede de TV, tem concessões para dezenas de emissoras de rádio, pode dizer o que quer, enganar, subtrair, distorcer, criar fatos e factóides. Mas não está satisfeito. Quer uma carteirinha de jornalista. Para atender suas angústias existenciais ou ganhar convite para as estréias de filmes.

Apelou para a justiça em 2001, conseguiu ser admitido como jornalista-colaborador e em agosto de 2009, depois de o Supremo Tribunal Federal acabar com a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo, entrou com uma ação no Tribunal Regional Federal da 2ª Região. O desembargador Fernando Marques o atendeu.

Errou o meritíssimo, data vênia: a entidade à qual Edir Macedo pretende associar-se (o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro) é composta exclusivamente por trabalhadores. Na condição de patrão, empregador – e aqui não vai nenhum juízo de valor –, Macedo não pode pretender a defesa dos interesses dos empregados. É incompatível. [segue...]
É... cada vez mais me convenço que abrir meu boteco lá na Chapada é a saída. Ser jornalista (acho que) já foi mais nobre um dia...
Por Paulo Bicarato, às 15:54 de 02.03.2010 - 1 já comentou aqui
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04.02.2010

:: Ectoplasmas Suínos ::

Tá, tudo bem, talvez peque pelo excesso. Mas a dica do @meu irmão vale -- e rende umas boas risadas (quando não explicita as tragédias cometidas pelos coleguinhas):
Objetivando disponibilizar - a madrasta do texto ruim
Como diz a madrasta, os ectoplasmas suínos um dia ainda vão salvar a humanidade…
Por Paulo Bicarato, às 13:03 de 04.02.2010 - Comentem!
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15.12.2009

:: Route of Smoke ::

Route of smoke
Cris Prizibisczki e Andreia Fanzeres
Com todos os méritos, já que tá no sangue, a coleguinha Cristiane Prizibisczki*, cá de terras valeparaibanas, foi a grande vencedora do Earth Journalism Awards. Ao lado de Andreia Fanzeres, a Cris teve a sua Trajetória da Fumaça selecionada pra ser apresentada na 15ª COP, a Conferência do Clima em Copenhague. O anúncio dos vencedores do prêmio saiu ontem, devidamente comemorado pela Chefinha, tia-coruja da Cris.

As moças passaram cinco meses percorrendo o centro-oeste e a Amazônia, fazendo uma radiografia sobre as causas-efeitos das queimadas: *o problema das queimadas está diretamente ligado ao modelo de exploração das Amazônia, e uma das questões que mais chama a atenção é que a população local quer resolver o problema, não quer mais depender do fogo, mas não tem condições para isso*, resumiu a Cris, em entrevista recente. Mas, chega de papo: confiram o trabalho das meninas aqui.

Taí, valeu, Cris & Andreia! Parabéns!

* Só a Chefinha sabe pronunciar...
** Registre-se, o Copoanheiro também acompanhou e ficou na torcida pela Cris


Segundo clichê: a seguir, mensagem da Cris, direto d'além-mar:
Olá, pessoal.

Eu e Andreia Fanzeres gostaríamos de agradecer a todos que votaram em nosso trabalho A Trajetória da Fumaça no Earth Journalism Awards.

Graças ao apoio de vocês conquistamos também o prêmio da noite, o Voto Popular. Dos cerca de 6.239 votos, nosso trabalho conquistou cerca de 1.700! Com isso, ele também chegará às mãos de negociadores aqui em Copenhague.

Agora continuamos nosso trabalho na cobertura da Conferência do Clima da ONU, que vocês podem conferir pelo site O Eco www.oeco.com.br.

Um grande abraço a todos,
Cristiane
Terceiro clichê: a Chefinha volta aqui e explica que há duas pronúncias pro sobrenome da Cris: em polonês, é *Prichibichéski*; já em português é *Prizibíski* mesmo... E, a seguir, algumas fotos da premiação:

Cris_trofeu
Cris Prizibisczki exibe o prêmio
Cris_Marina
Cris Prizibisczki com Marina Silva
Por Paulo Bicarato, às 11:24 de 15.12.2009 - Comentem!
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29.09.2009

:: Sobre Ministros, Pererecas e Polegares ::

Sobre o imbróglio-paquera entre o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e o governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), prefiro me abster -- melhor ficar de fora (!) de questões particularíssimas que envolvem a tara de uns em relação à *veadagem* e ao fumar ou não fumar, ou fumar e não tragar, sei lá, de outros. [Por via das dúvidas, vale o conselho do Tutty Vasques: quando o Minc for a Campo Grande, é bom levar o Mantega junto... ok, ok, infâmia pouca é bobagem!] Mas eis que, por conta dessas questiúnculas, brotam textos deliciosos como o do Mestre SLeo. Trechinho:
Minc mal havia driblado o bruto e excitado governador, e lhe aparece uma perereca.

Não qualquer uma. Coisa rara, especial. História contada pelo Globo. O jornal pode ter muitos defeitos, mas ainda é o que melhor sabe tratar esses fait divers -- esses casos saborosos que alguns jornais matam em textos burocráticos, como professores de literatura que fazem de tudo para que seus alunos percam o prazer da leitura. Ah, a delícia dos textos bem feitos d'O Globo. Reproduzo o começo [íntegra aqui]:

Ela tem dois centímetros. Mas está na frente de gigantescos tratores, caminhões e escavadeiras usados na construção do Arco Metropolitano. E quem ousa passar por cima dela? A maior obra pública em andamento no Rio - 77 quilômetros de pistas que ligarão Itaboraí ao Porto de Itaguaí -, orçada em R$ 1 bilhão, parou pela força da pequena Physalaemus soaresi. Trata-se de uma perereca rara e ameaçada de extinção, que não tem nome popular. Ou melhor, não tinha: os operários da obra já a apelidaram de Norminha, a personagem poligâmica da última novela da oito.
Mea culpa: aceito de bom grado a dica do SLeo, e passarei a conferir mais O Globo. Mas, sobre bons textos, já de um bom tempo me acostumei a guardar o caderno Aliás, do Estadão, e saboreá-lo com calma, de preferência com uma cervejinha. Não falo necessariamente das análises dos temas de capa, mas de artigos-crônicas, não raro beirando o gonzo, que frequentam a última página (obrigatoriamente) e às vezes recheiam as páginas internas (Sérgio Augusto é hors-concours, não conta). Do último domingo, um belo exemplar veio da lavra (putz! eu, usando essa expressão?!?) do Christian Carvalho Cruz -- prazer, cara! De um, digamos, prosaico concurso de digitação de mensagens no celular, os SMSs, o cara se saiu com um artigo saborosíssimo. Aperitivo:
De torpedo em torpedo
Assim caminha a humanidade: na ponta de seus fundamentais polegares

[...] O polegar favoreceu o bipedismo, só isso. E desde então experimentou altos e baixos no desenvolvimento da civilização. Alguns altos: a destreza para matar piolhos ou pedir carona, e a revolução técnica de Bach ao inaugurar o uso dos polegares nas composições para órgão. Alguns baixos: o dedão dos imperadores romanos voltado para baixo (ou para o lado, há controvérsias) pedindo que o gladiador desse logo um jeito em seu oponente, e a inolvidável canção Dedinhos da apresentadora Eliana: "Polegares, polegares, onde estão, onde estão...?"

No seguro obrigatório de veículos, o DPVAT, a indenização paga a quem perde o polegar em acidente de trânsito é a maior entre os cinco dedos da mão: R$ 2.430, para, por exemplo, os R$ 1.215 pela mutilação de um anular, aquele que antigamente costumava ter a nobre função de levar a aliança de noivado ou casamento.
Se alguém ainda acha que o jornal e o jornalismo precisam ser chatos e ficar naquele rame-rame de números e fontes oficiais, taí alguns exemplos de antídoto. De resto, eu, que sempre me orgulhei de ser canhoto (*vai ser gauche na vida*, né, Drummond?), acabei de me descobrir um destro -- é, pra digitar um SMS, meu dedão direito é bem mais ágil...
Por Paulo Bicarato, às 13:36 de 29.09.2009 - 3 comentários
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03.08.2009

:: Ato Falho ::

Responda rápido: o que é que acontece quando um Cruzeirense e um Flamenguista fecham a edição de domingo do jornal? Já tá tudo fechado, só esperando o resultado do futebol. Até a metade do segundo tempo, jogo empatado e a chamada de capa, *fake-provisória*, tá pronta: *Palmeiras fica só no empate com Sport*. De provisória pra definitiva, foi... mesmo que o Palmeiras tenha saído de campo com a vitória (mas, é claro, a culpa é do diagramador...)

Obs.: meus caríssimos FZ e MM, sorry. Eu não poderia deixar passar essa... heheheh
Por Paulo Bicarato, às 12:56 de 03.08.2009 - Comentem!
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29.07.2009

:: Aulinha Básica ::

De Mussum pro Mestre SLeo: falando sério, impressionante como o SLeo resume em pouquíssimas linhas a lógica perversa que orienta as pseudoargumentações contra ou a favor das contas públicas. Citando a Miriam Leitão, ele diz:
[...] o velho raciocínio simplista: as contas com pessoal estão aumentando, e isso é ruim; bom seria se aumentassem os investimentos, que caíram. Se for só por essa lógica, pagar melhor a professores e médicos é ruim; mas é positivo construir prédios de hospitais sem equipamento ou estradas do nada a lugar nenhum para gerar comissões de campanha.
Falta uma análise mais séria, mais sofisticada das contas públicas. As pequenas sacanagens com o dinheiro público não têm relevância econômica, mas são indícios da má administração, má gerência que de fato existe em ministérios capturados pelas necessidades da articulação política do governo. O debate feito só em grandes números, com base em modelos econômicos que se desmoralizaram, não ajuda a melhorar a gestão [...]
Confiram o resto da aula lá no Sítio dele.
Por Paulo Bicarato, às 14:51 de 29.07.2009 - Comentem!
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29.06.2009

:: Levanta, Sacode a Poeira... ::

Só pra espanar a poeira e começar a semana, fiquemos com a dica do Xico Sá, in*A Arte de Jogar Conversa Fora*:
O mentiroso de qualquer espécie sabe que a recreação, e não a instrução, é a alma da conversa e acaba sendo muito mais civilizado do que o cabeça-dura que fica alardeando sua desconfiança em relação a uma história que é contada apenas para entreter a platéia.

[Mais lá n'O Carapuceiro]
Por Paulo Bicarato, às 13:49 de 29.06.2009 - Comentem!
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18.06.2009

:: MTb 25.626 ::

jornalismo
É a pauta do dia: STF revoga exigência de diploma pra jornalista. De minha parte, nunca fui a favor da obrigatoriedade -- o título do post é o meu registro profissional, que fique aí pra constar, só. Mas, como essa é uma discussão que sempre dá pano pra manga, prefiro deixar aqui uma pequena coletânea do que a blogosfera já produziu.

Lá do Sakamoto: *refletir sobre sua própria prática, dentro de uma ética específica, sabendo o que significa o papel de intermediar a informação na sociedade, ter a consciência dos direitos e deveres atrelados à liberdade de expressão são desafios que não são aprendidos necessariamenente na academia* -- e que se registrem os toscos argumentos do Gilmar Mendes. Já o Barone comemora: viva o Jornalismo!
Agora, os nossos cursos superiores de Jornalismo terão que ser o que eles são (...): um diferencial na formação de profissionais e não uma fábrica de diplomas.
Ou, como disse o Alessandro, talvez agora as faculdades ensinem algo... Mais ou menos nessa linha, a Cris Rodrigues [de quem roubei a ilustraçãozinha] anota:
Vejo a democratização do acesso como uma utopia a ser atingida quando o nível de educação do Brasil atingir uma qualidade alta.
Já o PDoria resume: agora, todo jornalista é jornalista. Ponto. Cá pra mim, no meio disso tudo fico, sempre, com o Cláudio Abramo: *minha ética é a mesma ética do açougueiro, do jornaleiro, do cidadão* (algo assim, mais ou menos, cito de cabeça).

Pra alimentar ainda mais o papo, vale a pena conferir o Idelber, que também fez um catado com vários textos. Enquanto isso, a Aninha comenta sobre o hacker-journalist.

E, pra quem defende o corporativismo, o Henrique manda a sugestão, direto de Madri:
*Associación de Vendedores de Melones y Sandias en Puestos de Temporada de la Comunidad de Madri*
Pra finalizar, que fiquemos combinados: às favas com algumas imposições da reforma ortográfica. Neste Alfarrábio, as idéias continuam a ter acento e assento; e meto os hífens na dona-de-casa sem pudor. Já o trema, aboli faz tempo -- que se mantenha o da Bünchen, que é bonitinho.
Por Paulo Bicarato, às 13:38 de 18.06.2009 - 2 comentários
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25.05.2009

:: Fotojornalismo ::

Lance do Palmeiras (Jumar) e São Paulo (Hugo), no clássico do domingo. Balé puro, numa bela sacada do Moacyr Lopes Jr., da Folha de S.Paulo. Sobre o jogo em si, que meteram a mão no Verdão, prefiro deixar pra lá. [Procurei a foto online, mas não achei. Fui obrigado a scanear e botar aqui.]

Segundo clichê: sei que o Oliveira, o canalha (amigo) do SLeo, não costuma visitar este Alfarrábio. Mas o JotaJota, o canalha da redação aqui, num ímpeto oliveirístico, comentou:
-- É... o palmeirense tá por trás do bambi, e o bambi com essa expressão de *huh!*, só mostra que a *coreografia* foi no improviso mesmo... (ou não...)

[Clique pra ampliar]
Por Paulo Bicarato, às 17:16 de 25.05.2009 - 2 comentários
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30.04.2009

:: Valeu, Ricardo Mega! ::

ricardomega01Esse camarada aí é o Mega. Se não bastasse o sobrenome superlativo, o cara era mesmo grandão -- mas, como muitos grandões, no fundo era quase uma moça. Companheiro de inúmeras pautas e aventuras, só hoje fiquei sabendo que, desde sábado passado, ele tá fotografando outras paragens. Com toda certeza, ele tá naquele pedaço do Céu reservado pros caras bacanas. Forte abraço, camarada! Valeu!ricardomega02


[A seguir, algumas fotos dele, que roubei quando fui visitá-lo lá em Floripa. Os retratinhos dele foram cedidos pelos colegas do jornal valeparaibano.]

ricardomega03ricardomega04ricardomega05
Por Paulo Bicarato, às 13:15 de 30.04.2009 - 1 já comentou aqui
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27.04.2009

:: Alô, Universitários ::

Tudo bem que é mkt de guerrilha -- ou *mkt de engajamento*, como quer a iChimps, agência que me contactou -- mas, como é bem feito, e o *produto* é bacana, merece a divulgação.
Olá Paulo, tudo bom?

Meu nome é Frederico Conti e estou trabalhando na divulgação do 5º Concurso Universitário de Jornalismo CNN. Acredito que isso pode ser interessante para você e para os leitores do seu blog Alfarrábio.

As inscrições começaram no dia 24 de março e podem ser feitas até dia 29 de junho de 2009.O tema deste ano é “O uso da tecnologia no desenvolvimento social”.

A novidade de 2009 é que o estudante vai poder enviar o vídeo de até 2 minutos pelo YouTube, sendo que ele poderá produzir quantas matérias quiser.O concurso é válido somente para estudantes de jornalismo. O ganhador conhecerá os estúdios da CNN International, além de ter sua matéria exibida pelo canal.

As inscrições podem ser feitas no site:
www.concursocnn.com.br

Acompanhe ainda as novidades no Blog:
http://www.concursocnn.com.br/2009/blog/
Segundo clichê: recebo e-mail do Marcelo Vial, um dos sócios da iChimps, empresa responsável pela organização geral do Concurso Universitário de Jornalismo CNN. Segue a explicação dele sobre mkt de guerrilha X mkt de engajamento:
Na minha visão, enquanto a comunicação em geral se concentra apenas em enviar as mensagens de seu interesse para os consumidores (guerrilha inclusive, pois foca no buzz/na geração de boca-a-boca, sem se preocupar com o retorno da mensagem, apenas com o registro de onde ela saiu), o mkt de engajamento tem por base o diálogo entre as pessoas e as marcas, respeitando a diversidade de opiniões. É deste diálogo que eu acredito surgir um novo conhecimento (um ótimo ativo tanto para as pessoas que consomem os produtos, quanto para as pessoas que gerenciam as marcas).

A nossa intenção é apresentar a Causa da CNN (incentivar o desenvolvimento do talento dos participantes) e, havendo interesse das pessoas contatadas (escritores, estudantes, blogueiros, jornalistas etc.), convidá-las a dialogar expressando a sua opinião a respeito de assuntos relacionados ao tema (tecnologia, jornalismo, o Ser jornalista, mudanças sociais e comportamentais etc.).
Beleza, Marcelo, tá registrado. Anyway, como já tinha dito, gostei da abordagem.
Por Paulo Bicarato, às 17:42 de 27.04.2009 - Comentem!
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