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:: Tenha Dó... ::

Como se já não bastasse o circo montado em Brasília (segundo o Noblat, hoje parece dia de final de copa do Mundo na capital: tudo parado aguardando o depoimento do Roberto Jefferson), o ilustre deputado João Herrmann Neto (PDT-SP) nos brinda com essa *pérola*:

Deputado propõe o fim da crase na Língua Portuguesa

Segue a ficha do cidadão:
João Herrmann Neto
Nascimento: 07/03/1946 - Campinas, SP
Profissões: Engenheiro Agrônomo
Filiação: João Guilherme Paz Herrmann e América Elias Herrmann
Legislaturas: 1983-1987, 1987-1991, 1999-2003, 2003-2007.
Gabinete: 913, Anexo 4, Fone: 215-5913, Fax: 215-2913 Email:dep.joaoherrmannneto@camara.gov.br.

Dica do Heitor Lobos, lá no Radinho.

Direto da Agência Câmara de Notícias.

Eu vou ser preso?
Pauta - 14/6/2005 13h03

Deputado propõe o fim da crase na Língua Portuguesa

O acento indicativo de crase poderá ser eliminado da língua portuguesa, caso o Projeto de Lei 5154/05, do deputado João Herrmann Neto (PDT-SP), seja aprovado pela Câmara. Crase é a fusão (ou contração) de duas vogais idênticas em uma só. Em linguagem escrita, é representada pelo acento grave. Segundo o deputado, a crase complica a língua portuguesa e só serve para "humilhar muita gente".
Para ele, a maior parte da população brasileira ignora a ocorrência da crase na maioria das expressões em que ela aparece. "As ambigüidades podem ser desfeitas com o estudo e a análise do texto, sem levar em consideração esse sinal obsoleto que o povo já fez morrer", defende.

Crônica
Em sua argumentação, João Herrmann cita diversos escritores, como Moacyr Scliar, que na crônica "Tropeçando nos acentos" registra: "A população brasileira se divide em pobres e ricos, mas também se divide em dois grupos, os que sabem usar a crase, a minoria, e a maioria que tem um medo existencial a esse sinal".
Para João Herrmann, a eliminação do sinal também poderá contribuir para economizar tempo no ensino da Língua Portuguesa. Segundo ele, esse é o erro mais comum, em qualquer tipo de "texto, placa, letreiro ou anúncio", e o que mais precisa ser repetidamente corrigido por professores desde o ensino fundamental. "O acento não faz falta nenhuma. Simplesmente deixará de ser escrito", explicou.
As editoras de livros e periódicos terão um prazo de três anos para adaptar suas publicações ao cumprimento da medida. Pelo texto, onde hoje escreve-se "à", será escrito apenas "a".

Tramitação
O projeto foi encaminhado às comissões de Educação e Cultura; e Constituição e Justiça e de Cidadania. Caso seja aprovado, pode ir diretamente à análise do Senado, sem passar por votações em plenário, por ter caráter conclusivo.

Conheça as regras da crase

Reportagem - Marcello Larcher
Edição - Rodrigo Bittar
Por Paulo Bicarato, às 17:09 de 14.06.2005 - Categoria: Primeira Edição

GERALDO MAGELA DE FARIA comentou:

Qualquer um pode legislar sobre o que quiser. Mas, provavelmente, o ilustre deputado desconhece a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - CPLP, que reúne os oito países que adotam a língua portuguesa como idioma oficial. Entre os objetivos da comunidade, está o da unificação da língua portuguesa nesses países. As modificações no idioma são feitas pelo povo, por meio das alterações da linguagem no dia-a-dia, ou pelos estudiosos, que se debruçam em aprofundados estudos acompanhando a evolução da língua portuguesa. Não por um projeto de lei. Portanto, esse projeto não será aprovado. Mas o deputado, que pertence a um partido que adota o trabalhismo como bandeira (criado pelo grande Leonel Brizola), poderá propor vários outros projetos dentro desse tema. Afinal, há milhões de desempregados, subempregados, trabalhadores na atividade informal, trabalho infantil e até mesmo trabalho escravo, em pleno terceiro milênio. Problemas "graves" é que não faltam. Deixem o acento indicador em paz...
às 20:30 de 10.07.2005
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Bicarato comentou:

Pois é, Geraldo. Prova da *falta do que fazer* desses deputados. Enquanto isso, a patuléia tem que rebolar pra sobreviver...
Abração
às 17:58 de 11.07.2005
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