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:: Pré ou Pós? ::

Essa vai especialmente pro camarada SLeo. É mais uma das candidatas ao prêmio Febeapá: os caras querem ser solícitos, mas acabam virando motivo de chacota. Não contentes em reinventar os press-releases, já devidamente comentados aqui, os caras conseguiram se superar. Agora, as informações têm a singela opção de informar se são pré ou pós. Mas não sei seé pra rir ou chorar…

P.S.: a cópia foi feita seguindo a dica gambiarrística exemplificada no post anterior…

:: Gambiarra ::

High-tech ou low-tech total? Ou as duas coisas ao mesmo tempo? É isso que dá quando se junta a necessidade e a criatividade: gambiarra. No caso, o ilustre copoanheiro Adauto não tinha um scanner à mão. Tascou sua maquininha, amarrou daqui, apoiou ali e pronto: fotografou os documentos. Mais rápido do que qualquer scanner…

:: Blogosfera Brazuca ::

Sei que estás em festa, pá / Fico contente / E enquanto estou ausente / Guarda um cravo para mim

Eu queria estar na festa, pá / Com a tua gente / E colher pessoalmente / Uma flor do teu jardim

Sei que há léguas a nos separar / Tanto mar, tanto mar / Sei também quanto é preciso, pá / Navegar, navegar

Lá faz primavera, pá / Cá estou doente / Manda urgentemente / Algum cheirinho de alecrim

Sobre a versão oficial, aqui. Sobre tudo, o Chico.

*Preocupados em fazer da blogosfera um remendo da mídia de massa*, provoca o HdHd. Ou será que a *mídia de massa*, ou o mainstream, como cutuca o Hermenauta, estaria num furioso processo de cooptação da blogosfera brazuca? Pro Interney, ficou evidente o desconhecimento dos bambambãs sobre como ainda não entenderam a emergência do processo. Já o Pedro Doria se limitou a registrar a discussão, por enquanto — com certeza, tá preparando algo pro Link do Estadão.

O que isso tem a ver com a Revolução dos Cravos e com a bela música do Chico (redundância das redundâncias)? Também não sei muito ao certo, mas sempre que a masturbação sobre *monetização* dos blogs, *probloggers* e o escambau toma conta das listas de discussão, me lembro do *Tanto Mar* do Chico. Talvez, sei lá, porque a verdadeira revolução da qual os blogs sejam os protagonistas esteja mais pro silêncio dos Cravos do que pras guilhotinas sangrentas.

É de se esperar que, se um movimento emergente como a blogosfera começa a preocupar o sistema vigente, este vai fazer de tudo pra cooptar ou buscar meios de neutralizar os efeitos. Mas, em primeiro lugar, o que o mainstream não consegue entender é que quando um sistema emergente aparece, é porque já tá mais do que consolidado — lembremos da famosa imagem do formigueiro. Atacar apenas os efeitos não vai passar de um paliativo. Em segundo lugar, a ótica meramente mercantilista não consegue compreender como e porque algum processo pode ser lúdico e prazeiroso, de compartilhação de conhecimento, fraterno mesmo, sem ter como único objetivo o lucro. Em terceiro lugar, esta impermanência característica dos blogs não se coaduna com a craquenta e caquética ética protestante que visa a *produção*, o consumo. Em quarto, last but not least, ainda não entendi a cobrança pela *profissionalização* da blogosfera (tá, eu sei, tem a ver com todos os outros motivos citados acima). Posso, se me dão licença, continuar usando e abusando dessa *internet moleque*, como lembra o Mr. Manson?

Sei que tem gente muito mais gabaritada pra argumentar com muito mais coerência, e aceito sugestões de leitura. Mas, antes de me mandarem pedradas, aceito os Cravos da revolução mais pacífica que já vimos, e que também temos o privilégio de vivenciar. Alguém mais topa?

:: Lolitas ::

Já é mais do que sabido que pesquisas e estatísticas são naturalmente passíveis de interpretações as mais diversas. A partir de uma mesma fonte, o British Journal Biology Letters, eis que me deparo com duas notícias com enfoques totalmente opostos:

Na BBC Brasil:
Estudo explica preferência de mulheres por homens mais velhos

e no Correio Braziliense:
Estudo explica porque homens preferem mulheres mais novas

Será que dá pra deduzir as preferências dos editor@s de cada veículo? Anyway, assim como o Hermenauta e como o Nabokov, fico com a versão do Correio, claro (ou não…)

:: Dia de Letras ::

Meu happy hour hoje tem gosto de letras. 24 de agosto, afinal de contas, marca os 108 anos do cego que lia nos labirintos, mestre Jorge Luis Borges. Brinde especial pros 63 anos do bandido que sabia latim, Paulo Leminski. Como nem tudo é perfeito, a data marca os 60 do auto-intitulado mago Paulo Coelho… Talvez este último detalhe explique a curiosidade citada na wikipedia: *considerado pela Cultura Popular Nordestina o dia em que o Diabo se solta do Inferno e anda solto pela Terra. Também na tradição popular portuguesa se diz que o dia de São Bartolomeu é o dia em que o diabo anda à solta*.

:: Jam Session ::

Ainda tô fuçando no brinquedinho, minha mais nova aquisição, a Cybershot DSC-W80. Efeitos inesperados acontecem, mas não se é muito recomendável fotografar com o cigarro aceso: dá nessas coisas aí…

Mas o Rodrigo se saiu bem na jam session durante o Circuito Liberdade, no Café Cultural — segurou bacana a batera. Além do rock’n’roll, grafitti, oficinas de pintura em terra, de tango, performances inesperadas e, claro, cerveja gelada. Aos poucos vou subindo mais fotos do evento e aviso aqui. Por enquanto, já subi algumas fotos no Flickr.

:: Da Lucidez da Arquitetura ::

Antológica, pra se ter sempre à mão e reler, reler… A entrevista do arquiteto Paulo Mendes da Rocha a Ana Paula Souza na CartaCapital é de uma lucidez e de uma sabedoria sem tamanho, mesmo que um tanto dolorosa — infelizmente, a entrevista não está disponível na íntegra no site. Pincelei Pincei algumas frases:

Uma cidade degenerada
O arquiteto Paulo Mendes da Rocha ergue e destrói a paisagem urbana

*A rigor, devíamos [arquitetos e urbanistas] ser mais ouvidos no plano político, nas questões de desenvolvimento das cidades. É uma pena que haja uma tendência de a arquitetura se tornar banal. Isso é decorrência da vertigem mercantilista do nosso tempo.*

*Falamos em água, ar, mas o que pode acabar antes somos nós mesmos.*

*A arquitetura constrói espaços para amparar a imprevisibilidade da vida, não para determinar comportamentos. A cidade é o lugar da liberdade.*

*O mercado é um horizonte falso e, se ficar no comando do processo, só produzirá asneiras como a dos neoclássicos.*

*A classe média alta é a mais baixa da população.*

*Como revitalizar o centro histórico? Transformando botequim em centro cultural? O botequim era um centro cultural.*

*A cidade é o lugar da reprodução do conhecimento na fala diária dos homens que precisam conviver.*

*A classe média não quer frequentar a liberdade.*

*[…] é essa consciência do próprio desastre que forma estados patológicos como o pânico. São pessoas que já não respeitam o outro, estão num estado de delírio.*

*A cidade é, por excelência, o lugar do discurso do homem, o lugar onde as coisas continuam, como experiência e como vida.*

:: Cretinos da Gema ::

Se você acha que já viu de tudo, lembre-se: nunca subestime a capacidade do ser humano de cometer asneiras. Que o diga o Sérgio Augusto, como sempre, gastando o verbo: *Já virou esporte jogar ovo no outro, às escondidas. Mais um sinal da imbecilidade que assola o planeta*. Tá no caderno Aliás do último domingo:

Foi “ovo” contra

Com a divulgação pelo YouTube do arremesso de ovos podres pelo diretor do BBB, Boninho, de seu apartamento, cresceu a pressão sobre o site para que o filme saísse do ar. Inútil: Boninho e outros lança-ovos voltariam ao YouTube ao longo da semana.

Sei lá… mas acho que uma boa solução pra esses descerebrados seria uma enxada e uma internação numa fazenda onde só come quem planta, ou algo do tipo. Pra quem não tá por dentro do novo *hype* (queimar índios e espancar trabalhadoras humildes já era…), que leia o artigo do mestre Sérgio e tire as próprias conclusões.

O que dizer de um grupelho de jovens grã-finos que dedica parte de seu ócio a atirar ovos nas pessoas e carros que passam pela rua?

Como “ovacionam” os passantes aboletados em terraços e protegidos atrás de cortinas, o mínimo que se pode dizer é que eles, além de desocupados, moleques e perdulários (ovos são uma portentosa fonte de proteínas e custam em torno de R$3 a dúzia), são um bando de covardes. Se lhes falta coragem para agredir passantes sem a proteção das alturas e cortinados, encarando seus alvos e arriscando-se a um revide, cinismo e burrice têm de sobra. Pois é preciso ser muito burro e/ou deslavadamente cínico para documentar seus delitos em vídeo e disponibilizar as imagens na internet.

Para quem estiver boiando, uma rápida recapitulação:

Aos ovos celebrizados por Colombo, pelo astrônomo Lemaître, pelo clássico dilema da causalidade (“Quem veio primeiro: o ovo ou a galinha?”), pelo filme O Império dos Sentidos e pelo álbum de despedida do grupo Wings, veio juntar-se, dias atrás, o Ovo de Ipanema. É por esse título que o vídeo pode ser encontrado no YouTube. Há mais de um em circulação, todos exibindo a mesma cretinice: do alto de luxuosos apartamentos da Avenida Vieira Souto, frenéticos colunáveis não só se deleitam atirando ovos pela janela, como admitem, às gargalhadas, que poucas outras atividades lhes oferecem prazer comparável, sem esclarecer se consumir drogas é uma delas.

Para os mimados filhos de nossa mais frívola burguesia, provavelmente estimulados pelos trotes de Clube dos Cafajestes e outros clássicos do asneirol hollywoodiano, a “ovação” virou um sucedâneo da cocaína e do sexo, uma forma doentia de masturbação (com o valor agregado do simbolismo testicular). A “ovação” é o novo Ecstasy, o Eggstasy.

Exibicionistas, narcisistas e prepotentes, sua mais destacada e histérica presença feminina é a socialite carioca que há muito se perdeu pelo nome, Narcisa Tamborindeguy. Aos gritos, como se de volta a antigos baratos, ela confessa que adora atirar de tudo pela janela. Seu companheiro de travessuras, Bruno Chateaubriand, orgulha-se de já ter atirado pela janela até cabos de vassoura, sem esclarecer que outra utilidade antes lhes dava. No mesmo vídeo, uma loura que não consegui identificar estende sua patologia ao resto da humanidade (“Todo mundo gosta de fazer bobagem”) e passa adiante uma receita (“Encher um saco de água, dar um nó e jogar é um estrago bom, né?”), bem menos trabalhosa que a aviada pelo global Boninho, que, antes de partir para a sua Blitzkriegg, injeta éter nos ovos, e espera três dias, até que eles apodreçam. Presumo que tenha sido com ovos podres que ele acertou “muitas vagabundas em São Paulo” sua maior bazófia no vídeo.

Apesar dos perigos que oferece (no olho, pode até cegar), atirar ovos, mesmo podres, em “vagabundas” não provoca tanta indignação quanto espancar empregadas domésticas, como recentemente fizeram quatro ou cinco pitboys cariocas, e queimar índio, como há dez anos fez a escória juvenil de Brasília. Mas, como observou Marcelo Coelho, em sua coluna na Folha de S. Paulo, “a alegria desbragada dos entrevistados, a completa certeza de que são donos do mundo, lá das alturas de um prédio de luxo, causa repulsa imediata”. Repulsa que por pouco não estrangulou o fluxo de acessos ao YouTube. Faz tempo que um vídeo não provocava tantas e tão iradas reações naquele site. Algumas, que pena, mais repugnantes que as próprias imagens que as motivaram.

Na internet, a Terceira Lei de Newton costuma sofrer uma ligeira alteração: para cada ação há sempre uma reação oposta e de maior intensidade. Besuntaram Narcisa e sua turma (entre os quais Brizolinha, neto do Brizola) de tudo quanto é insulto e palavrão. Chegaram até a condená-los à guilhotina. Mas de alguns comentários eu confesso que gostei. A proposta de se jogar uma melancia na cabeça de Narcisa, embora inútil, foi, convenhamos, divertida. O conselho para que os ovacionadores não saiam mais de carro blindado, e sim a pé, mostrando sua cara, me pareceu moralmente corretíssimo. Atirar ovos ou o que quer que seja às escondidas é mais um refúgio na impunidade praticado pela nossa sociedade. A Brasília, para “ovacionar” políticos corruptos e caras-de-pau, eles não têm coragem nem, o que é pior, vontade de ir.

Sou mais o Jaguar, que foi à posse de Roberto Campos na Academia Brasileira de Letras, em outubro de 1999, disposto a jogar um ovo no novo acadêmico. Metido no fardão que Tarcísio Meira usara no filme Independência ou Morte, o humorista acabou espalhando seus ovos sobre a calçada da ABL (“trocadilho para que ele chegue à Academia pisando em ovos, assim como todos os que votaram nele”), sem dar bola para os seguranças do prédio. Mais que uma molecagem, foi um ato de protesto, tão legítimo e intrépido quanto as ações daqueles atiradores de tortas, que volta e meia aprontam uma na Europa e nos EUA, lambuzando personalidades de variada plumagem e diversificadas culpas no cartório. Infiltram-se, praticam seus atos torterroristas às escâncaras, e, impávidos, vão presos.

Atirar ovos tornou-se uma praga internacional, uma idiotice globalizada, com blogs e sites na Internet. Até “esporte” já virou. São idiotas, mas afinal nenhum dano causam os torneios de lançamentos de ovos (egg throwing games), aqui e ali disputados por gente capaz de atirar longe ovos ou apará-los com as mãos, sem sequer lhes trincar a casca. Chama-se Johnnie Foley e é texano o recordista mundial da especialidade: seu ovo aterrissou intacto nas mãos de seu primo, postado a 98 metros de distância.

Pobres não participam de tais folguedos. Ovo, para eles, é só alimento. Também são filhinhos de papai todos aqueles adolescentes que atiram ovos sem, digamos, respaldo esportivo – como os egg throwers de Ipanema, São Paulo e onde mais essa espécie seja chocada. Há dois anos, um garoto de 15 anos foi morto a tiros, em Indiana, pelo invocado proprietário de uma picape atingida por meia dúzia de claras e gemas. No fim do ano passado, outro adolescente, de 14 anos, teve o mesmo fim, no interior de Ohio. Em Bath, na Inglaterra, o comércio já não vende mais de uma certa quantidade de ovos para moças e rapazes. Ordem da polícia. Não vai adiantar muito, mas já é alguma coisa.

O problema não é dificultar a compra de ovos, mas conseguir que os pais eduquem melhor seus filhos e, sobretudo, os mantenham longe das amizades podres. Podres como os eterizados ovos do Boninho.

:: MetaRec: APC Chris Nicol Prize ::

FF avisa, lá das Oropa:

E a MetaReciclagem tá entre os projetos finalistas do Prêmio Chris Nicol FOSS da APC, junto com um monte de outros projetos interessantes.
Pra quem quiser ler, o texto que foi inscrito, redigido pela Tanya e o pessoal da eCommunita, tá disponível aqui.
Tem uns pedacinhos de texto meu [do FF] ali, que eu tinha escrito pra outras coisas, inclusive o prêmio Betinho da APC, no qual levamos menção honrosa.