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:: Parabéns pro Menino ::

No meio de todo esse consumismo imbecil que grassa nessa época do ano, são sempre as coisas mais simples que acabam tocando a gente. Noite de quinta-feira, aquele corre-corre no comércio da cidade, e eu e a companheira, mais um casal de amigos, totalmente alheios ao zum-zum, tomávamos uma cervejinha num barzinho pra lá de simpático. Eis que chega um conhecido nosso, famoso por *intervenções* e protestos como ficar zurrando com um megafone e uma cabeça de burro de papel machê em frente à prefeitura (apesar disso, é gente boa).

Cumprimenta todo mundo e abre uma sacolinha de plástico. Presenteia a todos com um pequeno pacotinho, de papel jornal. Dentro, sementes de girassol. E segue só a mensagem: *Parabéns pro Menino!*. Pois é: o aniversariante ainda é lembrado, e ainda plantam-se sementes por aí. Então, parabéns, Jesus! E Feliz Natal pra todxs!

[E o Pedro Doria conta quem foi realmente Jesus, numa bela reportagem]

:: Loucos e Santos ::

Oscar Wilde: abre aspas:

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.

Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.

Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.

Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.

Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!

Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto;
e velhos, para que nunca tenham pressa.

Tenho amigos para saber quem eu sou.

Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos,
nunca me esquecerei de que “normalidade” é uma ilusão imbecil e estéril.

[Mensagem da Lelê]

:: Êh, Mundão! ::

Passeando pela BBC, em uma só página encontro sete chamadas sobre descobertas de novas espécies, de animais ou plantas, por esse mundão. Pra quem acha acredita que esse tal de homo sapiens manda em tudo, sabe de tudo, é dono de tudo, acho melhor se resignar e assumir nossa insignificância diante de tanta diversidade. Mas que é bonito, isso é (sei lá, acho que tô influenciado pela notícia do post anterior, e com percepções meio divergentes — isso passa…).

>> Expedição descobre novas espécies.
>> WWF descobre novas espécies no Vietnã.
>> Cientistas descobrem novas espécies na Amazônia.
>> Expedição encontra seis novas espécies de animais na África.
>> Cientistas encontram novas orquídeas em Papua Nova Guiné.
>> Cientistas descobrem mais de 50 novas espécies marinhas.
>> Expedição descobre rato gigante na Indonésia.

:: Davi ::

Segue um post conjunto com o camarada Adauto. Ele postou primeiro (toda a primeira parte do texto é dele), pediu minha opinião, liberou pra eu completar com o que eu quisesse. Valeu, Davi!

Basta estar vivo…

Não tem como suavizar a notícia.

Faleceu nesta madrugada de 19/12/2007, de infarto fulminante, o engenheiro Davi Monteiro Lino.

Vice-Prefeito do Município de Jacareí, interior de São Paulo, Secretário de Infra-Estrutura Municipal, um dos principais articuladores políticos da Administração e o mais provável candidato à sucessão nas eleições municipais de 2008.

De caráter fortíssimo, decidido, determinado, temido e respeitado tanto pelos amigos quanto por seus oponentes, era uma pessoa que se destacava em qualquer ambiente.

De uma racionalidade ímpar, tinha baixíssima tolerância para trabalhos mal feitos ou, sob seu ponto de vista, ineficazes, momentos nos quais, com voz trovejante, colocava em alto e bom tom o teor de seu desagrado.

Confesso que, justamente por essas características, e taurino como sou, tive também meus entreveros com ele. Dos brabos. Apesar disso, sua linha de trabalho, às vezes quase ditatorial, sempre se contrapôs àquela sua outra personalidade — mais condizente com este que vos escreve — a de botequeiro.

Sempre apreciador de uma boa discussão, com uma notável memória para os fatos históricos e políticos tanto do município quanto do país, seria possível ficar horas a fio ouvindo-o discorrer sobre os inúmeros causos que conhecia, de que participou ou mesmo protagonizou.

De um recente curso que fizemos juntos, minha maior surpresa foi descobrir que na “classificação técnica” que lhe foi atribuída ele foi qualificado como “introvertido”. Um caboclo daquele tamanho, daquela envergadura, daquela postura, introvertido? Difícil de acreditar…

Enfim, ainda que sob risco de parecer rude, convém dizer que não é sua morte que vai torná-lo santo. Tinha seus defeitos, é lógico. Mas também tinha suas virtudes — que não eram poucas. Sejamos justos com quem sempre procurou ser justo.

Ainda estou meio que aparvalhado com tudo isso. Para se ter uma idéia de sua presença na administração do Município, fica difícil prever os rumos que as coisas irão tomar doravante. Apesar de tudo, de nossos embates, de nossas reuniões, de nossas poucas discussões à mesa do bar, confesso que ele vai fazer falta. À Administração. Aos amigos. Aos copoanheiros. Ao próprio Município.

Requiem aeternam dona eis, Domine.

(P.S.: agora é o Bicarato, aproveitando o espaço do *Legal*: corroboro todas as palavras acima, e gostaria apenas de complementar que a cidade, e os amigos, perdem uma personalidade que deixa, sim, um vazio enorme. Cada pessoa que se vai deixa esse vazio, mas no caso do Davi, queria ressaltar a inteligência ímpar, o que não é pouco nas circunstâncias em que vivemos. Com todos os defeitos, e a aparente arrogância que caracteriza quem não suporta ver as coisas mal feitas, como o Adauto já disse acima, mas que na verdade é apenas uma autocobrança, o *Gordinho* deixa, agora, esta cidade um pouco mais burra, pra falar o português claro. Que se anote: quando ele queria ser chato, sabia sê-lo como poucos. Mas ser cobrado por um cara desses sempre foi um desafio.)

:: Weblog, 10 ::

E, segundo a BBC, a palabra *weblog* faz hoje 10 aninhos. Sei não, mas acho que é mais velhinha do que isso…

Segundo clichê: leio agora que o Ivan Lessa já havia contado a história do Jorn Barger e seu *Robot Wisdom* há alguns meses.

:: Sobre Rios & Homens ::

Frei dom Luiz Cappio pode parecer um Quixote, há quem faça troça da causa que ele abraçou. Mas o brôu Marcelo fez uma linda homenagem, em solidariedade ao frei — este alfarrabista confessa que ficou com os olhos cheios d’água. Valeu, Brôu!

[Mais aqui]

:: *Evite a Morte* ::

Que tal um aviso na embalagem de um decalque a ferro para camisetas, advertindo o usuário a não passá-lo com o ferro quente enquanto estiver vestindo a camiseta? Ou um singelo aviso colocado em um trator para que o usuário *evite a morte*? Ou ainda um carrinho para bebês que traz uma advertência para que não se coloque a criança na bolsa situada na parte de trás do carrinho? Mais: *remover a criança antes de dobrar*, em um carrinho para bebês, *perigoso se ingerido*, para um anzol, e *não use para higiene pessoal*, em uma escova para vasos sanitários.

[Pô, competir com o Ryff não dá mesmo. ‘Tava eu cozinhando esse post quando o GoogleReader me avisa que ele postou antes. Paciência.]

Voltando: deu na BBC que a organização Michigan Lawsuit Abuse Watch (M-LAW) divulgou o resultado da 11ª edição do prêmio *Selo de Advertência mais Estranha*: ONG dos EUA premia selos de advertência ‘óbvios e inúteis’.

Tudo isso pode parecer uma brincadeira, mas o objetivo é mostrar como os próprios estadunidenses se vêem como paranóicos. A M-Law se dedica a combater a cultura dos processos legais por motivos fúteis no país. É aquela coisa de processar tudo e todos e Deus e o mundo, com processos judiciais e indenizações idiotas que pipocam por qualquer motivo — coisa de advogados que vêem brechas pra ações ridículas, chantagens e sabe-se lá mais o quê. Bom, pensando bem, eles se merecem, né não?