Que o brasileiro é criativo e sempre arruma um jeito de se virar, é fato. Mas a solução que o Edson Aparecido Borin Alves, 32 anos, morador de Tanabi, interior de São Paulo, descobriu pra combater o desemprego é de cair o queixo: vender espaço publicitário no próprio corpo, em forma de tatuagens. Por preços que variam de R$ 70 a R$ 200, além de mais R$ 600,00 pra *manutenção mensal*, o açougue do seu Zé ou a lojinha da dona Ana já tem onde anunciar — e o Edson tá faturando cerca de R$ 1.300 por mês. Ok, cada um faz o que quer com o próprio corpo, e cada um se vira como pode, e a cratividade não tem limites. Mas é de se pensar até onde se humilhar desse jeito e perder a noção de dignidade pode levar uma pessoa a se rebaixar a mero objeto — ok, pode-se argumentar que já fomos transformados, todos, em maior ou menor grau, de alguma maneira em outdoors ambulantes, submetendo-nos à ditadura consumista das marcas (Naomi Klein já falou, e bem, sobre a *tirania das marcas em um planeta vendido*.)
Circo total! Acho que não tem outra explicação pra Campus Party: um clima mais do que descontraído, povo discutindo, trocando idéias, *fazendo*. Pra falar a verdade, ainda não digeri totalmente a parada, mas, em primeiro lugar, valeu só por rever muitxs aliadxs, ouvir o Maddog e o Johnson, conhecer o Pedro Doria, conversar um pouquinho com o Heródoto Barbeiro e, claro, tomar uma cerveja com a galera à noite. Em algumas listas, há quem esteja esperneando, dizendo que não entendeu nada, o que era aquilo e blablablá. Mas, na minha visão, não havia nenhum propósito específico: o lance era mesmo colocar o povo cara-a-cara, num imenso network, fazer acontecer a *nerdstock*. Há, claro, críticas, mas depois que eu digerir melhor a parada, escrevo mais. Fiquem aí com algumas imagens — ah!, ganhei de presente do Sapolino uma conta *pro* no Flickr =^)
Está nas mãos de todos nós um passo muito importante para a educação brasileira. Em 2007 foi aprovado no Senado um projeto de lei que torna obrigatório o ensino de música nas escolas. Este ano, o projeto de lei será discutido na Câmara dos Deputados.
A volta da educação musical nas escolas significará para milhões de crianças a construção de valores pessoais e sociais, além de um desenvolvimento maior cognitivo, psicomotor, emocional e afetivo. Mas para que esse projeto vire lei você precisa fazer a sua parte. Conhecendo e ajudando a pressionar por essa aprovação. Participe. O Futuro do Brasil vai aplaudir a sua contribuição.
Já está online o site da campanha nacional *Quero Educação Musical na Escola*. Com ele, damos início à campanha 2008, para a mobilização de todos, pela aprovação do Projeto de Lei na Câmara dos Deputados. Visite e participe do abaixo-assinado!
Tá legal, eu sei que este Alfarrábio ficou meio às moscas por uns dias. Mas é que eu simplesmente fiquei meio *travado* por não poder participar da Campus Party. Resta o consolo de poder acompanhar pelos relatos do povo, direto da fonte, como o DuendeVerde e o Mr.Manson, entre inúmeros outros. Afinal de contas, são quase 3.000 pessoas no Pavilhão da Bienal, boa parte blogueira. E, o pior de tudo, é que eu ganhei a inscrição, a convite da LuFreitas, pra integrar o time do Campus Blog. Paciência… quem mandou querer ser assalariado e cumprir horário todos os dias? Mas o pior é o povo telefonando e mandando mail e me chamando no jabber pra cobrar minha presença por lá. Vocês vão ter que me engolir, pódexá!
Bom, deixando o chororô de lado, amanhã apareço por lá. Em primeiríssimo lugar, rever muita gente bacana, conhecer quem não conheço pessoalmente, reencontrar aliados metareciclentos como o HdHd, discutir com o povo do Barcamp — afinal, o lema da Campus Party este ano é exatamente *a Internet não é uma rede de computadores, é uma rede de pessoas* (bingo! sempre falamos nisso, oras bolas!). Mas, além de participar da *nerdstock* ou da *SP Fashion Geek*, também vou tentar deixar meus dois centavos no debate *O Jornalismo e a Nova Economia*, organizado pela Futura Networks do Brasil e a Fundação Padre Anchieta/TV Cultura. Segundo o Pedro Markun, do Jornal de Debates, que me convidou pro debate, a idéia é colocar frente a frente jornalistas *tradicionais* (seja lá o que isso for) e blogueiros — bom, acho que me encaixo nos dois perfis 🙂
O Jornalismo e a Nova Economia
* Data: quinta-feira, dia 14/02, às 19h
* Local: Bienal do Ibirapuera – Térreo
– A missão da imprensa muda na sociedade em rede?
– A nova linguagem jornalística na era digital: quem ganha, quem perde?
– Blogs: novas vozes, novos discursos, nova linguagem. O que acontecerá com as redações?
– O Jornalismo “open source”: a imprensa está preparada para a comunicação colaborativa?
– Revolução Digital: qual o poder real das empresas de comunicação na nova economia?
– Mecânica: Debate com oito convidados formando a mesa
Desconferência ao final com a participação de 10 blogueiros convidados
– Mediadores:
Sérgio Amadeu – Sociólogo, Diretor de Conteúdos da Campus Party Brasil
Ricardo Mucci – Jornalista, Diretor de Novos Negócios – TV Cultura
Talvez tenha diretamente a ver com o debate o fato de a sala de imprensa ser motivo de piada pros campuseiros. Taí a fotinha pra provar. Tá certo que nossa imprensa tá pra lá de desacreditada — salvo as exceções, of course. E também é certo que o *mainstream*, em boa parte, ainda não se tocou que o modelão tradicional já não funciona mais. Bom, sobre isso já escrevi há algum tempo no falecido Bombordo — copio o original a seguir.
Apocalípticos, integrados e… hackers
Umberto Eco deve, certamente, rever hoje seus conceitos de *apocalípticos e integrados*. Diante das possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias, resumir as gentes que fazem e consomem informação e comunicação nestas duas classificações ficou completamente sem sentido.
Não existem mais as figuras do emissor e do receptor. Mesclaram-se, e mesclaram junto a própria mensagem. Somos, hoje, *a* mensagem, cada um um potencial gerador / difusor de informações e conhecimento –não somos, nem de longe, apocalípticos ou integrados.
Eco forjou estes conceitos, naturalmente, sob ou a partir de uma cultura típica do século XX: a industrialização, com sua produção massificada e absolutamente mercantilizada, em que toda e qualquer pessoa não passa de mera consumidora –quando muito, produtora, mas sem acesso ao domínio da produção: uma simples ferramenta que podia ser sumariamente descartada se apresentasse algum defeito ou não gerasse os resultados pretendidos.
Resgata-se, agora, outra forma de produção não mediada unicamente pelo *valor de mercado* ou pela *mais valia*. O lucro, em si, deixou de ser o leitmotiv das novas comunidades, que ganharam uma característica ainda mal interpretada e conceituada: a des-hierarquização dos processos, a horizontalidade das *organizações*, a ausência de líderes, a emergência de projetos totalmente colaborativos –baseada antes na reputação de seus integrantes do que na *valoração* mercantilista de cada um. (Parênteses: o Bombordo pode ilustrar perfeitamente este artigo: de minha parte, conheço pessoalmente duas ou três pessoas que integram o projeto –e, pra completar, rascunho este texto em guardanapos de papel num boteco.)
Toda essa anarquia, no sentido mais puro do termo, replica-se e se esporifica progressivamente –ninguém ousa apostar aonde chegará.
Mas o fato é que temos a honra de participarmos de um momento único na história: desprezamos os processos que *notabilizaram* o século XX (Charles *Carlitos* Chaplin, acredito, adoraria participar dessa revolução), reavivamos o aspecto lúdico e prazeiroso da construção coletiva do conhecimento, redescobrimos o poder de vez e voz de cada anônimo, de cada ser pensante que deseje se expressar, resgatamos, enfim e contraditoriamente, com o uso das novas tecnologias, a *tecnologia* básica que sempre moveu o mundo: nossa humanidade, e nossa potencialidade de nos expressarmos, nos comunicarmos, nos relacionarmos, nos amarmos…
Esse espírito hacker, muito antes de meros geeks/nerds enfurnados em suas máquinas, inclui um potencial fantástico de transformação social. O poder de desalienar-se e agir contra a elitização do conhecimento, contra o monopólio e a capitalização da informação, está ao alcance de todos. Projetos emergentes pipocam aqui e ali, totalmente descentralizados e colaborativos, na mais pura expressão open source –em alguns casos, os próprios protagonistas acabam por se surpreender com a repercussão e o crescimento do projeto, que ganha vida própria.
Seriam inúmeros os casos, mas fiquemos com um, pela proximidade: a MetaReciclagem, nascida numa lista de discussão entre meia-dúzia de românticos pensadores, engenheiros poetas, hackers de carteirinha e simples abnegados, tornou-se referência e ganhou a simpatia e a adesão de inúmeros anônimos, ignorando fronteiras.
Toda essa subversão anárquica tem um fundamento essecial: a colaboração entre os participantes, o espírito fraternal e coletivo. Para completar, todo o processo é permeado por um ludicismo que só faz crescer o engajamento de cada um com todos: o prazer do compartilhamento do conhecimento. Ou, como diria Guimarães Rosa, nas palavras de Riobaldo Tatarana, *vida é mutirão de todos, por todos remexida e temperada*.
Taí uma idéia bacana: um brinquedo mais do que ecologicamente correto, e pra lá de high tech. Deu na BBC: empresa lança carro de brinquedo movido a hidrogênio. O carrinho é movido por controle remoto e é carregado em um pequeno aparelho que converte água em hidrogênio — o aparelho separa o hidrogênio do oxigênio da água e é carregada por energia solar. O oxigênio é então liberado e a unidade bomba o hidrogênio para o carrinho. Pra completar, o H2GO é feito com material biodegradável (plásticos à base de trigo) e sua embalagem é reciclável. Deu na BBC.
FF, sempre ele, já fez a convocação geral. MetaRec é um coletivo? É um conceito? É uma rede? É uma tribo? É tudo isso e mais alguma coisa? Então, ‘bora lá:
O que é o Mutirão da Gambiarra?
O Mutirão da Gambiarra é um esforço coletivo para promover a coleta, organização e análise da documentação gerada nos cinco anos de existência da rede MetaReciclagem.
Resolvi dar uma fugida com minha companheira-cúmplice no Carnaval. Sem programar nada, acabamos caindo em Monteiro Lobato. Eis que a trupe do Trem da Viração ‘tava por lá, agitando a matinê na praça — delícia pura, e olhem que quem diz é do tipo *ruim da cabeça e doente do pé*. Na segunda-feira, folga pro pessoal — não entendi o porquê, mas… Aí encontro o grande Déo Lopes (pra quem não conhece, é uma das cabeças do Trem, e uma espécie de Antônio Nóbrega do Vale do Paraíba), que tá encabeçando também um novo projeto, o Movimento da Terra. E, em primeiríssima mão, o cantadô me mostra o demo do novo CD da turma. Em apresentação exclusivíssima, ele canta uma das composições, que conta o causo do seu Zé Quintino e a chegada do primeiro automóvel na cidade, um Ford 1929. O vídeo tá pra lá de tosco, mas fica aí pra quem conseguir ouvir.
Impossível registrar aqui todos os causos do Trem da Viração. Mas o Déo se diverte ao lembrar de uma vez em que foram contratados pra animar uma festa de confraternização de uma empresa em São Paulo. Um dos executivos tinha visto uma apresentação do Trem, gostou bastante e resolveu contratar a trupe. O que o tal do executivo não fez, no entanto, foi *preparar* os funcionários da empresa — o repertório do Trem é bem *de raiz*, bem longe do esquemão comercial massivo. Vai que o Trem começa a se apresentar e os funcionários fazendo cara feia, torcendo o nariz, pedindo alguma dupla sertaneja ou coisa do tipo. E vai o Déo, como é de costume, tentar interagir com o público: ele desce do palco, cantando, e tira uma moça pra dançar. Mas a moça era simplesmente a esposa de um dos diretores da empresa, tipo armário, que por pouco não pega o Déo pruns safanões. Frustração total: o negócio era literalmente enfiar a viola no saco e sair de fininho. O show foi abortado em menos de 10 minutos. Detalhe: foi o maior cachê já recebido pelo grupo — um cachê pra ser expulso da festa.
Comentários