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:: Tecnologias Móveis & Desenvolvimento Social ::

Seminário W3C
Tecnologias Móveis: seu papel na
Promoção do Desenvolvimento Social

2 e 3 de junho de 2008, São Paulo, Brasil

:: Chapada das Mesas ::

Inveja boa desse cara, o Edu Issa. Já há um bom tempo ele tá fazendo uma expedição por todos os Parques Nacionais do Brasil. E, pra instigar, periodicamente ele manda alguns informes, só dando uma pequena mostra do material que ele tá coletando. E mostrando que esse nosso Brasilzão é mesmo pra lá de privilegiado…

Parque Nacional da Chapada das Mesas – Maranhão

Texto e Fotos: Eduardo Issa


Cachoeira da Prata

A nossa quarta Chapada é no Maranhão!

Depois de conhecer as estonteantes paisagens das três Chapadas brasileiras, sendo elas Diamantina (BA), Veadeiros (GO) e Guimarães (MT), cheguei ao sul do Maranhão com poucas expectativas de encontrar uma paisagem que pudesse me impressionar. Ledo engano, nosso país surpreende seus viajantes nos quatro cantos do seu território.

O parque Nacional da Chapada das Mesas, com uma área de 160 mil hectares, abrange os municípios de Carolina, Estreito e Riachão, no centro-sul do Maranhão. O parque, criado em dezembro de 2005, está inserido nas metas dos órgãos ambientais em aumentar áreas protegidas do bioma Cerrado. Em números, apenas 2,5% do cerrado brasileiro está protegido em unidades de conservação, portanto qualquer ação com o objetivo de ampliar esta proteção será sempre bem-vinda.

A região desta nova chapada ainda apresenta uma riqueza enorme em espécies vegetais e animais e, segundo especialistas, a criação destas unidades é uma corrida contra o tempo para salvar grandes remanescentes do cerrado brasileiro. Entre os planos do Governo Federal está a criação de novas áreas protegidas no Maranhão, formando um mosaico com parques, reservas estaduais, federais e terras indígenas.

Andando por áreas da unidade, não é difícil observar ao longe fumaça gerada por carvoarias e por desmatamento com o objetivo de expandir a fronteira agrícola. Os funcionários do parque já contam com uma brigada de incêndio e nos períodos de seca fazem o trabalho de monitoramento e combate a estes focos. Para Leôncio, chefe da unidade, há muito que ser feito no parque, desde ações básicas como colocação de placas indicativas do parque nacional até ações efetivas como o pagamento de indenizações aos moradores que têm propriedades dentro da unidade.

Voltando às paisagens, fica bem claro para os visitantes que esta região apresenta um enorme potencial turístico e que aos poucos vem sendo descoberto por aventureiros brasileiros e estrangeiros. A diversidade de ambientes é outra característica marcante da chapada maranhense — são cachoeiras, cavernas, formações rochosas em forma de mesa e outras paisagens peculiares da região. Com todos estes atrativos, o Parque Nacional da Chapada das Mesas vem se tornando uma alternativa para o turismo do Maranhão, disputando espaço com os famosos Lençóis Maranhenses, no Norte do Estado.

Mas vale ressaltar que o local ainda permanece sem muita estrutura e, para andar pela área do parque e visitar alguns de seus atrativos, só é possível em veículos tracionados. O município de Carolina já conta com algumas pousadas e agências de ecoturismo habilitadas a transportar visitantes com segurança. De qualquer forma é bom estar preparado para o sacolejo das trilhas e muita poeira, buracos são freqüentes até nos trechos de asfalto.

Na verdade, para os aventureiros e exploradores de locais pouco visitados, estes perrengues são combustível para conhecer estes paraísos e selecionam os acomodados que querem descer do carro e por o pé na água. Para José Eduardo Camargo, jornalista acostumado a descobrir novos destinos pelo Brasil, a Chapada das Mesas tem os ingredientes necessários para se tornar um bom destino de aventura. A cidade de Carolina, às margens do Rio Tocantins, é o ponto de partida para quase todos os passeios. Por via aérea, o aeroporto mais próximo de Carolina é o de Imperatriz, distante 200 quilômetros.


Portal da Chapada

Em busca da mais famosa queda dentro do parque, a Cachoeira da Prata, a pequena estrada sem sinalização cruza o cerrado bordeando pequenas propriedades de moradores que aguardam a definição e pagamentos referentes à indenização de suas propriedades. Seu Pedro Carneiro, que sempre viveu ao lado da queda, atualmente já colhe os frutos do turismo e serve uma deliciosa comida caseira aos visitantes. Se você chegar à cachoeira não deixe de atravessar o rio Farinha por uma pequena balsa improvisada e tomar um banho na parte baixa das quedas, a melhor parte do passeio.

Nesta área do parque, ainda no mesmo dia é possível conhecer o Morro das Figuras, uma parede rochosa com inscrições esculpidas e pintadas por povos antigos que viveram na região. De volta ao veículo, finalizamos o passeio visitando a cachoeira com o maior volume d’água do parque, a queda de São Romão, que além de curtir uma bela prainha ainda é possível, acompanhado de um guia, entrar por trás da cortina d’água.

Já perto de Carolina, deixe o carro na estrada e numa caminhada sem muito esforço morro acima é imperdível contemplar o pôr-do-sol no Portal da Chapada. Uma fenda na rocha emoldura a paisagem e nos arredores temos a visão dos morros em forma de mesa que deram nome ao parque.

Seguindo pela estrada em direção ao município de Riachão, um asfalto todo esburacado leva a duas preciosidades desta região, o Poço Azul e o Encanto Azul. A transparência da água e seus tons azulados convidam ao mergulho e fazem lembrar outras maravilhas do Brasil, como a Gruta da Pratinha na chapada baiana.

Se você gosta de viagens recheadas de aventura e paisagens arrebatadoras, o Parque Nacional da Chapada das Mesas no Maranhão pode ser seu próximo destino. Esperamos que a implantação de fato da unidade seja efetivada em breve e assim muitos brasileiros poderão conhecer estes tesouros com mais estrutura e possa assim ajudar a protegê-los.

Seguindo para o PN das Araucárias-Santa Catarina

Tudo o que o Alfarrábio já publicou sobre a expedição do Eduardo Issa.

:: Volta às Trevas ::

É só juntar um bocado de boas intenções (que, todos sabemos, tá cheio lá no inferno) com ignorância (dããã…) e falta de bom senso (o quê?), mais uma boa dose de falta de discernimento sobre o que é a internet (não é TV, caramba!) pra dar nisso. O Pedro Doria comenta, com toda a propriedade:

Algo de gravíssimo acaba de acontecer e afetará brutalmente a condução das eleições municipais brasileiras, no fim do ano. Está na resolução 22.718 do Tribunal Superior Eleitoral, no artigo 18, que trata das restrições à campanha online: ‘A propaganda eleitoral na Internet somente será permitida na página do candidato destinada exclusivamente à campanha eleitoral.’

O TSE acaba de proibir toda comunicação política eleitoral via YouTube, Orkut, Twitter. É possível que, dependendo da interpretação que se dê à resolução, um cidadão – qualquer cidadão – se veja proibido de manifestar suas opiniões políticas em seus blogs pessoais com banners. É como proibir o sujeito de vestir a camisa de seu candidato ou pendurar um button na lapela.

[…] Ao confundir um perfil no Orkut ou um canal no Twitter com um galhardete que suja a cidade ou mensagens mil que entopem a caixa de email, o ministro proibiu que os candidatos circulem nas ruas da Internet e se manifestem em busca de seus eleitores da mesma forma que fazem nas ruas das cidades, pessoalmente.

[continua aqui]

Taí mais um grande passo pra volta à Era das Trevas… O SAmadeu também comenta o causo:

O TSE quer limitar as possibilidades de interação, na campanha eleitoral, entre os candidatos e os cidadãos a um site que deve necessariamente estar vinculado a um determinado domínio? A riqueza da esfera pública interconectada, tão comentada por pesquisadores como Yochai Benkler e Lawrence Lessig, não estaria sendo suprimida com uma resolução tão limitadora?

[…] Para que uma regulamentação tão autoritária? Por que esta tentativa de limitar formas originais de campanha na blogosphera e nos demais cantos do ciberespaço? Alguns poderiam responder “para coibir o poder econômico”. Mas como bem apontou o Prof Benkler, a diferença brutal entra a esfera pública dominada pelos mass media e a esfera pública interconectada, realizada, pela Internet, ocorre exatamente pela arquitetura de informação distribuída da rede e pela eliminação dos custos para se tornar um falante. Ou seja, uma resolução que deixa dúvidas sobre a possibilidade de uso das redes sociais, de sites como youtube, está negando as possibilidades gratuitas da rede. Assim está beneficiando o uso das mídias pagas, do brodcasting. Isto, sim, incentiva o poder econômico em detrimento de quem tem diálogo, relacionamento e audiência na rede.

É muito difícil legislar sobre as características da comunicação em redes digitais interativas. É preciso clareza. Esta resolução deveria garantir a liberdade de expressão, interatividade e uso legítimo de todo o potencial da web 2.0. Esta resolução não deveria ser um impeditivo do uso da inteligência coletiva, das práticas colaborativas, como recursos democráticos legítimos.

[continua aqui]

:: Rede EcoBlogs ::

Taí mais um exemplo belíssimo sobre como as redes podem funcionar. Recebo e-mail do camarada Wagner Tamanaha sobre o lançamento da Rede Ecoblogs. Vindo de quem vem, e conhecendo alguns dos participantes como conheço, tenho certeza de que vai vingar, e bem. Eles se explicam:


A Rede Ecoblogs é feita de pessoas que como você pensam e agem por um mundo mais sustentável. Leia, comente, avalie, critique, envie sugestões e relatos, sugira novos assuntos, entre em contato. Participe de nossas comunidades no Orkut e no Flickr. Divulgue a Rede Ecoblogs e os blogs participantes conversando com seus amigos pelo instant messenger, redes sociais, escrevendo e publicando em seu blog um dos selos e banners.

Melhor do que eu, o camarada Wagner explica mais sobre o projeto:

Então, hoje foi a estréia oficial da Rede Ecoblogs , um agregador e biblioteca online de posts sobre meio ambiente e sustentabilidade. O objetivo é que o site reúna relatos, dicas e experências sobre o tema socioambiental replicado dos blogs participantes. Desta forma pretende facilitar a organição e o acesso a esse tipo de conteúdo que cada vez mais desperta o interesse de toda a sociedade, atingir o público dos blogs participantes e em troca também levar novos visitantes aos autores da Rede.

Os primeiros participantes convidados a fazer parte da Rede Ecoblogs são: Carol Costa do blog Guindaste, Denise Rangel do Sturm Und Drang, Jorge Henrique Cordeiro do blog O Escriba, Lucia Freitas do Ladybug Brasil e Rodrigo Barba. Todos já escreviam ocasionalmente sobre o tema, entre vários outros assuntos como é usual nos blogs, e agora passam a compartilhar os posts que julguem adequados, replicando no site da Rede Ecoblogs.

Outras características dos blogs participantes é que revelam o esforço pessoal, o processo de mudanças de hábitos, descoberta de novas informações e a interação com outras pessoas com atitudes semelhantes. Desta forma, cada blog a seu modo, abordam assuntos como: reciclagem, preservação, tecnologias limpas, design, arquitetura, educação ambiental, tutoriais, dicas, agricultura orgânica, etc. O lançamento da Rede Ecoblogs pode também pode motivar a discussão sobre o assunto entre outros blogueiros ou mesmo inspirar o surgimento de novos blogs.

A Rede Ecoblogs tem o apoio da Fundação MAPFRE, que com esta e outras ações do programa ambiental Eco MAPFRE visa substituir processos dispendiosos de papel e tinta por alternativas ecoeficientes e o maior uso de recursos web. Toda economia resultante destas ações será destinada às ações ambientais do Parque Estadual da Serra do Mar.

Para saber mais:
>> Rede Ecoblogs:
http://www.ecoblogs.com.br
>> Rede Ecoblogs, A Rede:
http://www.ecoblogs.com.br/index.php/a-rede/
>> Rede Ecoblogs, Participantes:
http://www.ecoblogs.com.br/index.php/participantes/
>> Post do Wagner no Blog de Guerrilha:
http://www.blogdeguerrilha.com.br/2008/03/25/rede-ecoblogs-agregador-e-biblioteca-online-de-posts-sobre-meio-ambiente-e-sustentabilidade/
>> Release para a Imprensa:
http://docs.google.com/Doc?id=dhjmchtw_12crk7rdcf

Segundo clichê: isso tudo me lembra um post que fiz em 2005 e que até hoje recebe comentários. O interessante é que esse post praticamente ganhou *vida própria* e se transformou em uma espécie de *fórum*, com o pessoal trocando / pedindo dicas, relatando experiências e tal.

:: Biblios ::

Spam, às vezes, surpreende. Esse eu recebi via Orkut — como todo spam, fico com o sifonáptero na parte posterior do pavilhão auricular, mas de qualquer maneira me parece uma idéia interessante:

Você escreve textos curtos ou mesmo já escreveu um livro? Como você gosta de escrever, queria recomendar a você um site sério. É o portal Mesa do Editor, que apresenta suas obras a editoras. Lá tem mais de 1.100 editoras que acessam e usam o portal como um “google” de obras inéditas. Mesmo se não quiser fazer uma assinatura, eles apresentam de graça seus trabalhos a editoras durante um dia por mês. Vale tudo: livros, contos, poemas etc. O endereço é www.mesadoeditor.com.br.

Se alguém tiver mais alguma referência sobre o site, agradeço.

:: Ruptura: Já É ::

Copy&Paste direto do HdHd.

Não se tem mais necessidade do capital! A valorização passa pela cabeça, eis a grande transformação. A Multidão tomou consciência, ela não admite mais que se lhe leve o produto do seu trabalho. Veja as recentes manifestações antiglobalização de Rostock, na Alemanha. Não é mais a velha classe operária. É o novo proletariado cognitivo: ele está em nos empregos precários, no trabalho dos ‘call centers’ ou dos centros de pesquisa científica. Ele gosta de colocar em comum sua inteligência, suas linguagens, sua música… Esta é a nova juventude! Agora existe a possibilidade de uma gestão democrática absoluta

Antonio Negri – Nós somos os homens novos. A ruptura já se deu

:: Mino e a Carta ::

Sobre o post abaixo, e mais especificamente sobre a solidariedade do Mino Carta ao Paulo Henrique Amorim, fechando o blog no iG, vejo agora que o último post recebeu nada menos do que 690 comentários até as 14h32 de hoje — todos (ou pela menos a maioria absoluta, até onde pude ver) apoiando e elogiando a postura do Mino. Fica apenas a pergunta: a CartaCapital continuará a ser hospedada no iG?

:: Paulo Henrique Amorim ::

E o xará (sim, também sou *Paulo Henrique*) foi demitido do iG. Desculpa esfarrada e simplória: o blog dele tinha baixa audiência… Mas ele já tá em outro endereço, e explica:

O Conversa Afiada ficou fora do ar por 08 horas e 58 minutos.

Breve, escreverei um Máximas e Mínimas para tentar explicar o que aconteceu.

O iG se limitou a enviar uma notificação assinada por Caio Túlio Costa, para avisar que o contrato se rescindia de acordo com clausula que previa um aviso prévio.

Não é a primeira vez que me mandam embora de uma empresa jornalística.
Só o Daniel Dantas me “tirou do ar” duas vezes: na TV Cultura e no Uol.
E ele sabe que não vai me tirar, nunca …

Com isso, se encerrou a vida deste blog num portal da internet.
Nenhum blog de relevância política nos Estados Unidos, por exemplo, está pendurado num portal.

Clique aqui para ver: http://www.huffingtonpost.com ou http://www.talkingpointsmemo.com, para ficar em dois dos melhores exemplos.

Essa é a virtude a internet: último reduto do jornalismo independente.

Assim, se você acha que o Farol de Alexandria e o presidente eleito são dois impostores; se você gosta do Festival do Tartufo Nativo; se acha que o PIG, além de ilegível, não tem salvação; que os portais da internet brasileira são uma versão – para pior – do PIG; que a Veja é a última flor do Fascio; que o Ministro (?) Marco Aurélio de Mello deveria ser impeached; que Daniel Dantas deveria estar na cadeia;que Carlos Jereissati e Sergio Andrade vão ficar com a “BrOi” sem botar um tusta; que a “BrOi” significa que o Governo Lula vai tirar Dantas da cadeia; que chega de São Paulo, porque está na hora de um presidente não-paulista etc etc etc … se você acha tudo isso, continue a visitar o Conversa Afiada neste novo e renovado espaço.

Em tempo: o Conversa Afiada anuncia publicamente que não é candidato a nada no iBest. Nunca levou isso a sério. Não vai ser agora que vai levar.

Muitas novas atrações virão.

Até já !

Paulo Henrique Amorim

Segundo clichê: e hoje, exatamente às 12h54, o Mino Carta fechou seu blog — que também estava hospedado no iG — em solidariedade ao PHA. Talvez agora o iG se toque do tiro no pé… Copio aqui o último post, antes que o iG tire do ar:

Meu blog no iG acaba com este post. Solidarizo-me com Paulo Henrique Amorim por razões que transcendem a nossa amizade de 41 anos. O abrupto rompimento do contrato que ligava o jornalista ao portal ecoa situações inaceitáveis que tanto Paulo Henrique quanto eu conhecemos de sobejo, de sorte a lhes entender os motivos em um piscar de olhos. Não me permitirei conjecturas em relação ao poder mais alto que se alevanta e exige o afastamento. O leque das possibilidades não é, porém, muito amplo. Basta averiguar quais foram os alvos das críticas negativas de Paulo Henrique neste tempo de Conversa Afiada.

:: Agonia da Besta ::

Abre aspas:

[…] Essa concentração de riquezas absurda, ou esse monstro criado e alimentado por essa economia surreal, está dando seus últimos suspiros – ou urros. Como um câncer que destrói o órgão que o alimenta, esse modelo econômico está corroendo a nação que o criou e alimenta. O paciente sobrevive à base de medicamentos caros, que estão no fim do estoque. […]

Escrevi isso em meados de 2005, quando a economia estadunidense ainda não passava pela crise atual. Na época, o Maneco publicou na Novae e, devido a uns probleminhas de troca de servidor etc., o artigo saiu do ar. Hoje, pedi pro Maneco fuçar nos becapes dele lá e mandar pra mim. Mas ele fez mais: republicou, na capa. Confiram a Agonia da Besta. Valeu, Maneco!

A agonia da besta

A Besta e barulho do papel de bala

Há coisas realmente indecifráveis. Por exemplo, é impossível abrir uma bala sem fazer barulho. Essa foi a conclusão da pesquisa dos físicos Eric Kramer, do Simon’s Rock College, de Great Barrington, Massachussets, e Alexander Lobkovsky, do Instituto Nacional de Padrões de Tecnologia, de Gaithersburg, Maryland, segundo artigo publicado no New York Times. Além da aparente ironia de que a pesquisa possa estar revestida, sabe-se que muitas das mais importantes descobertas científicas foram fruto do acaso: ao procurar “A”, um cientista acaba por descobrir “B”. “A física das embalagens revelou ser surpreendentemente complexa”, disse Kramer, que descobriu analogias com as mudanças de conformação de grandes moléculas de proteína no corpo humano e nas propriedades magnéticas dos materiais usados em memórias de computador”, revela a reportagem do NYT.

Até aí, tudo bem. Mas o que me intriga, na verdade, é o funcionamento de determinadas mentes humanas (se é que se pode classificar assim), como a do sr. George W. Bush, completamente indecifrável, inexplicável. Para ficar no mínimo, chego a considerar a hipótese de se tratar de algo patológico, que mereceria um tratamento especial, ou ainda que se transformasse em objeto de estudo – mas devidamente confinado a um laboratório previamente preparado para evitar quaisquer possibilidades de vazamento químico, biológico ou energético que pudesse contaminar as comunidades e ambientes no entorno. Mas talvez eu esteja sendo cruel ao personificar essa tese no sr. Bush. Ela resume, sim, todo um modo de pensamento gerado por uma sociedade incapaz de sobreviver digna e pacificamente, considerando diferenças e autodeterminando-se um isolamento que, já se antevê, culminará na sua própria ruína.

Ganância, sede de poder, arrogância são alguns termos já utilizados à exaustão quando se refere ao presidente dos Estados Unidos. O descrédito que ele vem acumulando junto à comunidade internacional (e mesmo junto a setores da própria sociedade estadunidense) aponta para uma situação desesperadora, forçando-o a tomar atitudes cada vez mais insanas. Já fora de seu próprio eixo, busca de qualquer maneira encontrar algum novo ponto de apoio. Acuado pela própria insensatez, brada seus últimos rugidos e tenta se defender – ou ao menos ganhar mais alguma sobrevida – sacrificando seus parcos aliados, que, por sinal, aventam secretamente promover um motim, destituir o “chefe” e promover a restauração da ordem natural das coisas.

Se fosse apenas antipática, a postura do sr. Bush poderia até ser aceitável, digamos assim. Mas, muito além disso, ele faz questão de colocar em risco a própria humanidade e o planeta – ou o que ainda resta deles. O Protocolo de Kyoto foi simplesmente ignorado, e quaisquer questões ambientais são tratadas, quando muito, como assuntos que não lhe dizem respeito. A ONU, aos olhos desse sr., hoje não passa de uma “pedra no sapato”, incomodando a todo momento e insistindo em querer se meter nas decisões que só a ele mesmo interessam. Fácil: basta desprezar a ONU e todos os países e os respectivos diplomatas que a integram.

Para completar, o sr. Bush se dá o direito de promover agora “ações preventivas” – eufemismo que permite simplesmente mobilizar centenas de caças, frotas inteiras e milhares de soldados para atacar qualquer nação ou homem que seja considerado “hostil”. Eu teria pena do vizinho do sr. Bush, não fossem os custos de uma operação de guerra (ah, desculpem: não é operação de guerra, é “ação preventiva”) como essa. Custos que, segundo alguns chatos de plantão, poderiam minimizar a fome de milhões de pessoas. Mas como essas pessoas não são estadunidenses, ele não tem nada com isso. Mesmo assim, acho que seria interessante se o sr. Bush utilizasse os parcos neurônios que lhe restam e tentasse entender o que o dramaturgo Bertolt Brecht profetizou: “Está se aproximando um tempo tenebroso em que as crianças pobres temerão a fome e as ricas temerão as pobres”.

E, se não fosse pedir muito, recomendaria ao sr. Bush que fizesse um esforço extra e tentasse enxergar à sua própria volta. Os mesmos milhões de dólares que, sem hesitar, são queimados nas suas ações preventivas, estão minguando. Aliás, na verdade esses dólares nunca existiram: foram criados artificialmente por um sistema meramente especulativo. Não é à tôa que mais de uma geração de estadunidenses cresceu jogando “Monopólio”, ou “Banco Imobiliário”. O problema é que o sr. Bush pensa que ainda está jogando… Enquanto isso, debaixo de seus próprios olhos, outros jogadores vão se dirigindo à bancarrota. Enrom, WordCom, Xerox eram “sócias” do sr. Bush no mesmo jogo. Inventaram de colocar alguns zeros a mais nos seus balanços financeiros, ratearam a diferença entre amigos, ajudaram a custear a campanha política de outros… Tudo, porém, absolutamente irreal, culminando na eleição do próprio sr. Bush, que não foi eleito pela maioria mas se apossou da Casa Branca por causa de um voto lá da Flórida.

Toda a empáfia e arrogância daquela pseudo-noção de onipotência foi abalada pelo fatídico 11 de Setembro de 2001. Mas, mesmo depois de ver, com os próprios olhos, que era tão vulnerável quanto qualquer outra nação, o sr. Bush decide alimentar ainda mais o monstro que cria dentro de casa: vamos nos “proteger” das ameaças, e ampliar ainda mais a diferença entre ricos e pobres, espoliando ainda mais o “terceiro mundo” – que, afinal, sempre pagou a conta. Essa concentração de riquezas absurda, ou esse monstro criado e alimentado por essa economia surreal, está dando seus últimos suspiros – ou urros. Como um câncer que destrói o órgão que o alimenta, esse modelo econômico está corroendo a nação que o criou e alimenta. O paciente sobrevive à base de medicamentos caros, que estão no fim do estoque. Suas parcas forças que ainda restam são aplicadas num último grito de guerra, num esforço patético de pretensa demonstração de poder.

Muitas vítimas, ou mártires, ainda vão perecer – e não será em vão – até que esse monstro indecifrável se autodestrua completamente. Mas, assim, extirpado o câncer, a Humanidade nascerá para uma nova vida. Para uma vida saudável. Os mistérios indecifráveis do mundo, então, serão apenas mistérios como o barulho do papel de bala.