Economia Solidária. Pra quem ainda acha que é apenas uma utopia, é bom saber que iniciativas estão pipocando por toda parte. Basta conferir a Rede Paulista de Trocas Solidárias, ou ainda a reportagem que saiu na Folha há alguns dias, sobre feiras e clubes de trocas. Na reportagem (aqui, aqui e aqui, só pra assinantes, mas que eu copio na íntegra logo abaixo), há endereços de feiras em Brasília, São Paulo, Florianópolis e Salvador. Quer saber o porquê do título do post? É só ler a seguir…
IDÉIAS RECICLADAS
[consumo comprometido com o futuro]
NA BASE DO ESCAMBO
Feiras de troca praticam solidariedade e outra lógica econômica
CYRUS AFSHAR
DA REPORTAGEM LOCAL
Uma senhora guarda na bolsa dois copos de vidro, um prato e dez “alegrias”. Acaba de fazer uma troca. A moeda social da feira do centro de São Paulo é a “miruca”, mas ela só tem “alegria” para dar, a moeda de uma outra feira. “As mirucas já gastei”, diz Márcia dos Santos, 60, vendedora que freqüenta todas as feiras de troca da cidade. “Quando eu estava desempregada, a feira me ajudou muito”.
Talvez Márcia não saiba, mas ela participa de um movimento internacional nascido no Canadá, nos anos 80. Os clubes de troca tinham como proposta realizar transações com outra noção de valor e de trabalho, para fazer trocas justas.
Os primeiros clubes da América do Sul surgiram em 1995, na Argentina e se consolidaram durante a grave crise econômica enfrentada pelo país no fim daquela década. Três anos depois, chegaram ao Brasil.
Por aqui, as feiras e clubes têm o idealismo dos canadenses e o pragmatismo dos argentinos: jovens universitários trabalhando com comunidades da periferia, em São Paulo; ricos e pobres freqüentando as mesmas feiras em Florianópolis; e, em Brasília, a feira recebe famílias de classe média e estudantes. Ao todo, já são cerca de 40 feiras no país.
Com as trocas, colocam-se em prática os princípios de solidariedade. “É um meio de vida e de ajudar as pessoas”, diz a costureira Nina Pereira, 42.
A diferença entre as feiras e os clubes é que as primeiras são abertas a todos, podem ou não ser fixas e acontecem esporadicamente ou em um evento maior. Já os clubes são associações com regras e princípios próprios e reuniões regulares. Em ambos, as trocas são diretas ou mediadas por uma moeda própria (leia texto ao lado).
Na fila do “banco” da feira do centro de São Paulo, João Batista quer trocar livros e uma flauta doce por mirucas. Naquele sábado de fevereiro, o clima é de quermesse, com música ao vivo, sanduíche de presunto e bandeirinhas no formato de tiras coloridas que atravessam o pátio alegre em que se transformou o viaduto soturno.
OUTRO LADO DA MOEDA
DA REPORTAGEM LOCAL
“Alegria”, “miruca”, “futuro” e “axé” são algumas das moedas sociais em circulação nas feiras e que ajudam a tornar perene esse tipo de comércio. “Muitas das feiras que não usaram moeda social logo acabaram”, diz Carlos Henrique de Castro, 45, coordenador da Rede Paulista de Trocas Solidárias.
As pessoas levam às feiras os objetos que não querem mais e podem ou trocá-los diretamente ou recorrer ao “banco” para obter moedas sociais. Lá, os organizadores estimam o “valor social” dos itens e os trocam pela moeda vigente. Do banco, os objetos vão para as barracas, e, assim, as mercadorias giram. Por isso, mesmo com moeda, é uma feira de trocas.
Cada feira tem a sua moeda social e regras próprias sobre o uso. Elas não são aceitas em outros lugares e não podem ser trocadas por dinheiro de verdade.
TROCA-TROCA
SALVADOR
A idéia de montar uma feira de trocas na cidade de Salvador teve inspiração na experiência da Argentina. Os encontros mensais geralmente acontecem no Passeio Público de Salvador e as trocas são diretas. “A moeda é importante para manter uma economia alternativa, mas preferimos as trocas diretas”, diz a argentina Paola Arbiser, 37, membro do coletivo “O Escambal”, que organiza a feira.
Feira “O Escambal”, r. Guedes Cabral, 61-B, tel. (71) 3322-0246. Das 16h às 18h. Próxima: 9/03
FLORIANÓPOLIS
A Ecofeira e os clubes de troca Ecosol e Peri acontecem uma vez por mês em pontos diferentes da cidade. O público é heterogêneo, como explica Andrea Viana, 32, coordenadora do Projeto Brasil Local de Santa Catarina, responsável pela organização das feiras. As pessoas trocam alimentos, roupas, artesanato e serviços.
Ecofeira, em frente à reitoria da UFSC, conj. universitário s/n. Próxima: 19/03.
Clube de Trocas Ecosol, Cefet, av. Mauro Ramos, 950. Data a defi nir. Clube de Trocas Peri, praia da Armação. Data a defi nir.
Informações: Projeto Brasil Local/ SC, (48) 8814-3906
SÃO PAULO
As feiras na capital paulista são organizadas por igrejas, ONGs que trabalham com moradores de rua e por estudantes da USP e da FGV que atuam nas incubadoras de cooperativas populares. Os encontros são na periferia e no centro.
Feira do Jardim Ângela, r. Luiz Baldinato, s/n, tel. (11) 5833-6580. Das 9h às 12h. Próxima data: 30/03
Feira do Centro, r. Doutor Lund, 361, tel. (11) 3281-3367. Das 9h30 às 16h. Próxima: 15/03
Feira do Condomínio Geneve, al. Joaquim Eugênio de Lima, 1.075. Das 14h às 18h. Próxima: 15/03
Clube de Trocas no GOTI, r. Delfi n do Prata, 15A, tel. (11) 5560-0888. Das 14h às 17h. Próximo: 15/03
Feira Prosol, r. Padre José Maria, 555, tel. (11) 5521-5538. Das 11h às 14h. Próxima: 29/03
BRASÍLIA
A “Feira Escambau” acontece a cada três meses no Conic, no centro da cidade, e atrai cerca de mil pessoas. A feira não tem moeda social: as trocas são diretas. “Assim as pessoas se conhecem, puxam conversa. Muitas fi cam amigas”, diz Cláudia Sachetto, 28, organizadora da Escambau. “Já troquei um livro do Eric Hobsbawm [historiador egípcio, 90] por um vinil”, conta Freddy Charlson, 33, que participa desde a primeira edição.
Feira Escambau, Conic, setor de diversões sul, tel. (61) 3036- 9179. Das 14h às 19h. Próxima: 19/04
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