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:: Crueza ::

Como um colega de trabalho comentou, nunca pensei que um dia veria o verbo *defenestrar* usado de forma literal. Pois é o que o Estadão de hoje traz, reproduzindo trechos do parecer do promotor Francisco Cembranelli sobre o caso Isabella Nardoni. Diz ele:

*Com a criança desfalecida, porém ainda com vida, os indiciados resolveram defenestrá-la.

Depois dessa, vai ser difícil usar esse verbo…

:: Miscelãnea ::

Notas esparsas de terça-feira, pra compartilhar com minha meia-dúzia-de-cinco leitores:

1. Nas andanças do EfeEfe, descobertas interessantes:

Durante o Futuresonic, tive a oportunidade de conhecer Geraldine Juarez. Ela estava lá para apresentar o projeto Freewear, com o qual ela levanta um monte de questões importantes sobre excesso, consumo e estilo de vida. Uma das idéias é aproveitar redes como o Freecycle para pedir doações de material que pode ser re-interpretado.

2. Do HdHd, sobre cyberpunks como alquimistas modernos:

A geração baby-boom cresceu num mundo eletrônico (de 1960 a 1970), de ligar e sintonizar telas de TV e de computadores pessoais. Os Cyberpunks, crescendo nos anos 80 e 90, desenvolveram novas metáforas, rituais, e estilos de vida para lidar com o universo da informação. Mais e mais de nós estão se tornando xamãs de fuzzy-logic e alquimistas digitais.
[…] A Universalidade do 0 e do 1 através da magia e da religião – yin e yang, yoni e lingam, copa e bastão – é manifestada hoje em dia por sinais digitais, os dois bits por trás da implementação de todos os programas do mundo em nossos cérebros e em nossos discos operacionais. Esticando um pouquinho, mesmo a mônada, símbolo da mudança e do tao, lembra visualmente um 0 e um 1 sobrepostos pela ação centrífuga da velocidade sempre maior da rotação da própria mônada, curvando sua linha central.

[Do livro *Chaos & Cyber Culture* de Timothy Leary]

3. Do PDoria, no Link:

O prezado leitor talvez não tenha reparado. Que o mundo está mudando e muito, é óbvio. Mas em quê? Estamos todos voltando a ser nômades. A chave, aqui, é a mobilidade. Tudo isso, graças as nossas novas traquitanas eletrônicas.

Observação minha: sou fã do PDoria, mas dessa vez ele deu uma escorregada daquelas. Resumir o nomadismo à visão da revista The Economist, que ele cita, é simplismo demais — ou, talvez, *materialismo* demais. *Portabilidade*, ok, mas o nomadismo vai muito além do espaço físico; as fronteiras não são mais geográficas (se é que foram um dia); penso mais no *nomadismo psíquico*, em algumas idéias e conceitos do Pierre Levy e do Castells. Nômade, nomadismo, pode ser muito mais bem explorado do que o artigo do camarada PDoria.

4. Meio a ver com a nota acima, do Elefante Coletivo um ensaio interessante:

*Pensamentos sobre apropriação de trabalho imaterial

Diversos agentes das esferas artísticas, culturais e políticas buscam elaborar e instaurar hoje novas possibilidades de transformação nas diversas esferas da vida e em suas práticas cotidianas. Ao questionar estruturas de comportamento e pensamento condicionadas por lógicas de mercado e do espetáculo, tais agentes se deparam também (e a todo o momento) com o desafio de reconhecer em si mesmos a reprodução dos mecanismos de poder, condicionamento e alienação já instaurados em nossa sociedade.

5. Do caderno Aliás de domingo, crônica bacana do Fred Melo Paiva sobre o caso Ronaldinho&Travestis (não achei o link direto, pena…):

[…] simbora Ronaldo, ele abre agora pela esquerda, chega ao Motel Papillon, atenção, vai sair para o abraço, vai rolar o cruzamento, penetrou, bateu, no travessããããão!!! Mas o que é isso??? Bateu no paaaaau!!! Ronaldo está confuso… Não tinha aquela trave ali… Quem foi que mudou a trave de lugar?

6. Tom Zé tem blog.

:: Valdívia Facts ::

Resumo da ópera, direto do Massimo Divino, com direito a todos os exageros todas as exaltações a que um palestrino tem:

Mago eleito o craque do Paulistone! Ou é do mundo?

Caros palestrinos, campeões mundiais e atuais paulistas, io ainda non parei de comemorar. É muita alegria, é muita festa!
Nostro Mago foi eleito o craque do Paulistone. Precisava de mistério para isso? Já estava definido desde o primeiro jogo.
Abaixo uma listinha do que o Valdivia pode fazer:
1- No Winning Eleven, você pode controlar mais de 2 mil jogadores do mundo inteiro. Só não pode controlar Valdivia.
2 – Uma vez uma cobra mordeu a perna de Valdivia. Depois de cinco dias com terríveis dores e alucinações, a cobra morreu.
3- Garrincha tinha as duas pernas perfeitas. Até conhecer o chute no vácuo.
4- A teoria da relatividade diz que Valdivia pode te fazer um gol ontem.
5- Valdivia pediu uma camisa do Palmeiras na lojinha do Parque São Jorge. Foi atendido.
6- As súmulas de todos os jogos já vêm com um cartão amarelo anotado pro Valdivia, mesmo aquelas onde ele não joga.
7- Valdivia não cobra lateral. A lateral entrega tudo antes dele cobrar.
8- Papai Noel existia até esquecer a bola que Valdivia havia pedido de presente.
9- Valdivia inventou o Verde. Na verdade, ele inventou todas as cores conhecidas. Exceto o rosa.
10- Na escola, a professora de Valdivia pediu aos alunos para fazer uma redação com o título “O que é futebol arte?”. Valdivia escreveu seu nome e entregou a folha à professora.
11- A Konami nao reproduz o jogador Valdivia oficialmente no Winning Eleven. Porque o atributo Habilidade só vai até o 99.
12- O Winning Eleven 2009 terá 5 dificuldades: Easy, Medium, Hard, Ultra Hard e Valdivia Mode.
Aqui é Palestra!
Saudações Alviverdes

[Dica do Marcelo]

:: NovaE, 10 Anos ::

Maneco comemora os dez anos da NovaE. E resgata algumas coisas deste alfarrabista, na capa da revista:

Especial publicado na NovaE originalmente em 19 de maio de 2002, exatamente no aniversário de 50 anos do início da viagem que resultou em *Grande Sertão: Veredas*.

O real é atual. Credibilidade não envelhece.

1999-2009 – NovaE – 10 anos – Porque história é para ser contada.