Ok, você não tá entendendo nada dessa crise lá nos estêites, com o povo falando em bilhões, trilhões de dólares como se fosse uns trocados, os bancos caindo como peças de dominó… Tudo bem, não precisa se desesperar. O Sérgio Pamplona, lá no blog do Azenha explica como é que a coisa aconteceu.
O buteco do Biu
Tudo começa no “Buteco do Biu”. É assim: o seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça “na caderneta” aos seus leais fregueses, todos bebuns e quase todos desempregados. Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam pelo crédito e o aumento da margem para compensar o risco). O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo o pindura dos pinguços como garantia. Uns zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, PQP, TDA, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer. Esses adicionais instrumentos financeiros alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do seu Biu). Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países. Até que alguém descobre que os bêubo da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Biu vai à falência.
Ok, o iPhone eh bacana, e agora o hype vai pegar mesmo. Mas tem um detalhe: sem chances de copy&paste, nem pra uma URL… Assim limita muita coisa. Mas tem outra: toh postando direto do bichinho, usando a rede wi-fi PUBLICA que estah sendo instalada em Jacareih. Publica / gratis, pra todos.
Durante um bom tempo, a campanha do candidato republicano John McCain tentou evitar que a candidata a vice, Sarah Palin, falasse com a imprensa. Mas acabou sucumbindo à jornalista Katie Couric. Hoje, o Idelber Avelar e o Pedro Doria se esforçaram pra tentar traduzir uma das respostas da Sarah à jornalista. Mesmo pra quem convive com o nonsense, é difícil acreditar que uma anta dessas seja candidata a alguma coisa.
A pergunta (versão Idelber): por que não seria melhor, governadora Palin, gastar os US$ 700 bilhões ajudando as famílias de classe média que estão em dificuldades com assistência médica, moradia, gasolina e comida, para permitir que elas gastem mais e coloquem mais dinheiro na economia, ao invés de ajudar essas grandes instituições financeiras que cumpriram um papel na criação dessa bagunça?
A resposta: pro Idelber (esq.), *qualquer um que se proponha a traduzir isso está fadado ao ridículo, mas aí vai minha melhor tentativa*; pro PDoria (dir.), *numa tentativa de tradução*:
É por isso que eu digo que eu, como todo americano com o qual eu estou conversando, estamos doentes com essa posição em que fomos colocados. Onde são os contribuintes tentando socorrer. Mas no final das contas, o que o socorro faz é ajudar aqueles que estão preocupados com a reforma do sistema de saúde que é necessária para consertar nossa economia. Uh, ajudar… oh .. tem que ser tudo para criar empregos. Consertar nossa economia e colocá-la de volta nos trilhos. Então, a reforma do sistema de saúde, e baixar os impostos, e controlar os gastos tem que acompanhar a redução de impostos e os alívios de impostos para os americanos, e o comércio. Nós temos que ver o comércio como oportunidade, não, uh, como uma coisa competitiva e, uh, que dá medo. Temos que olhar para isso como mais oportunidade. Todas essas coisas sob o guarda-chuva da criação de empregos.
.:|:.
É o que eu digo, como todo americano com quem converso, nos sentimos mal numa situação em que quem paga os impostos financia o pacote. Mas, no fim, o que o pacote faz é ajudar aqueles preocupados com a reforma do sistema de saúde, que é importante para resgatar a economia, ajudando a—a criação de empregos, também, botando a economia de volta nos trilhos. Reforma do sistema de saúde e redução de impostos e controle dos gastos deve acompanhar redução de impostos e um alívio de impostos para os americanos. E comércio exterior, precisamos ver o comércio exterior como uma oportunidade, não como competição, algo que assuste. Mas um em cada cinco empregos criados vem do comércio, hoje, o que faz dele uma oportunidade. Tudo sob o guarda-chuva da criação de empregos. O pacote é parte disso.
Pra completar, ainda segundo o Idelber, a dona Sarah diz que lê vários jornais para se preparar. Mas, perguntada sobre quais jornais, Sarah foi incapaz de citar o nome de UM jornal americano.
Confesso que comecei a ler o livro do Saramago (sim, ele tem blog) e não terminei. Mas essa postura de *não vi, não gostei e tenho raiva de quem viu* é, no mínimo, coisa de quem não tem o que fazer, ou que se recusa a tentar *ver* o mundo como ele realmente é. Se os gringos *enxergassem* a cegueira do Saramago/Meirelles como metáfora pra cegueira maior que assola o mundo, as coisas seriam bem menos chatas e idiotas e burras e mesquinhas, né não?
Descobrir o que há por trás, ou dentro de uma imagem aparentemente simples é coisa pra poucos. Coisa maluca essa que o camarada Luciano Coca flagrou: algo meio borgeano, espelhos que se replicam, a reprodução infinita e abominável da realidade. [Clique na imagem pra ampliar]
Comentários