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Muito bacana esse trabalho coordenado pelo André Lemos: 404nOtFOund. Imprimi e lerei com calma mais tarde.

Bioarte – Estéticas de Corpos Mutantes

Edvaldo Souza Couto[1]
Silvana Vilodre Goellner[2]

Resumo

O artigo analisa a construção social do corpo contemporâneo por meio de obras de três artistas: o australino Stelarc, a francesa Orlan e o anatomista alemão Gunther von Hagens. Discute como a body art e a bioarte promovem a crescente simbiose entre a carne e a técnica, o orgânico e o inorgânico. Enfatiza que nas sociedades ocidentais novas configurações corporais invadem o cenário urbano, evidenciando quão tênue são as fronteiras entre a natureza e o tecnológico potencializado. As produções destes artistas estudados nos revelam que somos cada vez mais mutantes, híbridos, cuja estética inquieta e fascina ao colocar em evidência outras formas de pensar o humano e o tecnológico em cada um de nós mesmos. Vivemos a era das metamorfoses físicas e mentais aceleradas por meio das cirurgias, implantações e transplantações de próteses no humano. Essa parece ser a verdadeira revolução do presente: colonizar e modificar todo o corpo com as tecnologias médicas e cibernéticas. O resultado é a progressiva valorização das formas provisórias, da incompletude corporal. Estar sempre aberto a novas modificações passa a ser a condição para a promoção da beleza, da juventude e da longevidade perseguidas a todo custo. O artigo conclui, em acordo com esses artistas, que agora o corpo, vivo ou morto, nada mais é que uma performance e que cada um deve se aperfeiçoar sempre em cena.

Palavras chave: Bioarte. Estética. Corpo. Tecnologias. Stelar. Orlan. Hagens.