

13 de agosto, início da tarde, meu pai me liga pra comentar sobre o acidente fatídico com o candidato Eduardo Campos. Mas, além da vítima ilustre, meu pai estava preocupado se havia algum conhecido meu, colega jornalista, na equipe. Não, não conhecia nenhum deles — Alexandre Severo, fotógrafo; Percol, assessor; Marcelo Lyra, cinegrafista; Pedrinho Valadares, assessor de campanha; Geraldo Magela Barbosa da Cunha, piloto; e Marcos Martins, piloto.
Mas logo na sequência pipocaram links pra um projeto do fotógrafo Alexandre Severo [site/portfólio aqui], que recebeu menção honrosa no prêmio Wladimir Herzog. O ensaio fotográfico fala por si, mas, além da bela apresentação a seguir, assinada por João Valadares, pensei apenas que o nome, *À Flor da Pele*, bem poderia prescindir da crase — *A Flor da Pele* –, além da associação direta com *A Cor da Pele*. Mas tô divagando… fiquemos com o belíssimo e sensível ensaio do Alexandre.
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À Flor da Pele
Nasceram sem cor, numa família de pretos. Três irmãos que sobrevivem fugindo da luz, procurando alegria no escuro. O mais novo diz que é branco vira-lata. Os insultos do colégio viraram identidade. A mãe cochicha que são anjinhos. Eles têm raça sim. São filhos de mãe negra. O pai é moreno. Estiraram língua para as estatísticas e, por um defeito genético, nasceram albinos. Negros de pele branca. A chance dos três nascerem assim na mesma família era de uma em um milhão. Nasceram. Dos cinco irmãos, apenas a mais nova é filha de outro pai. Esta é a história do contrário. |





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