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:: Etilíricas ::

Fala, Xico Sá: “Procura-se um comunista, desesperadamente”.

É, acho que conheço um dos últimos sobreviventes, mas o cara tá longe… saudades dos bons proseios em Parahytinga, São Luiz, sob os olhares sacizísticos, fraternalmente ateus ao lado da minha formação católica, sempre recheados de citações de escritores os mais variados e explanações etimológicas que iam do latim ao grego e ao russo, passando pelo alemão e recaindo nos mineirismos causísticos (como de fato é mêsssm!), e, etilírica e inevitavelmente, como se pode deduzir, outros saciológos da mesma laia, ou de outras várias, pretinho-branco: saravá!, se juntavam pra poetar e discutir a inevitável implantação da utopia nas terras brasilis, numa Ursal de veias abertas de hermanos multifacetados. (mais…)

:: Gentileza gera gentileza ::

Das voltas que o mundo dá. Ou: sincronicidades inesperadas e fortuitas do dia-a-dia.
Há algumas semanas, a Rose, enquanto fazia uma caminhada, achou uma carteira de habilitação na rua. Fez o mínimo que se poderia esperar dela: tirou uma foto e publicou no feicebúqui, perguntando se alguém conhecia o rapaz. Em poucos dias, a irmã dele fez contato e veio o desfecho: a carteira foi entregue.

Causo simples, não haveria nada demais em uma atitude dessas, mas gratificante ver como pequenas atitudes ainda servem como exemplo do poder que as redes sociais têm (ainda!) de fazer o bem e aproximar pessoas.

Só que… a história não acaba aí. (mais…)

:: Amanda e Paula, e o preconceito ::

Viajar é sempre bom. Acho que isso é incontestável. Mas, claro, cada um vê as viagens com (ou a partir de) seu próprio olhar. Tive o privilégio de ter feito boas, ainda que não bastantes, viagens, por esse Brasilzão. Muitas delas em companhia da querida Rose, outras sozinho, uma inédita e inesperada com meu pai, pros Lençóis Maranhenses. De todas, lembranças deliciosas, cheiros e sabores únicos, paisagens e momentos inenarráveis.

Mas o que fica são as pessoas. Conhecer gentes é algo transcendental, que vai além das paisagens e da arquitetura e da História: as histórias e causos das gentes, a linguagem peculiar e os sotaques, os costumes, as religiões. Tivemos a oportunidade de conhecer (parte de) seis estados do Nordeste, contando as capitais e algumas cidades do interior: Maceió (Alagoas), Salvador (Bahia), João Pessoa (Paraíba), Teresina (Piauí), Natal (Rio Grande do Norte) e Aracaju (Sergipe). Em todas as cidades, um lugar sempre foi obrigatório: (mais…)

:: Esperança x ódio ::

Professora por mais de 30 anos, reconhecida e querida por incontáveis ex-alunos, a Rose estava sossegada no barzinho quando, assim como em inúmeras ocasiões, ouve um alegre e extrovertido “fêssora! Há quanto tempo!”.

É uma moça de seus 20 e poucos anos, acompanhada do namorado. Um casal bonito. Abraços e beijos efusivos, e a moça faz as apresentações: “foi a melhor professora de História que tive”, diz ao rapaz, seguindo-se elogios e perguntas de ambas as partes, como em qualquer reencontro.

Na primeira deixa, porém, o rapaz dispara: (mais…)

:: Pó ::

Insones, os parcos neurônios insistem em se digladiar. É, eles não se entendem: esse papo entre razão e paixão pende pra razão, neurônios que são, mas há um grupinho de rebelados que resvalou pro coração. E, não sei como, esse bandinho de neurônios vermelhos, sinistros, gauches, desgarrados, são capazes de uma balbúrdia quase lisérgica: flashes de lucidez (?) mesclados a insights pseudontelectualóides com pitadas de tragédia grega e toscos registros de poeira de estrada.

Tudo ao mesmo tempo, ouço vozes do Jack London, do Kerouac, do Leminski, do Baudelaire. O uivo do Ginsberg. Um corvo, assum preto, crocita: raven, never, raven, never, raven, never, raven, never, raven… (mais…)

:: Calhabau ::

Prosopopeias infames de uma noite etilírica. Pairam no ar ameaças de entreveros amigáveis, sem consumação, visto que, como há-de imperar a cordialidade fraternal, se entoem versos e cantos e palavrórios filosófico-inconsequentes. Descompromisso com a realidade, dir-se-ia talvez, ou processo auto-alienatório compactuado tacitamente entre os envolvidos? Ora, que esse canto torto, feito faca, corte a carne de vocês, diria o poeta, mais cônscio, sempre e claro, do valor intrínseco da palavra musicada.

Mas urge que se desaprenda um monte de coisas. Estude-se, tal um “vagabundo profissional”, o idioleto manuelês, língua nativa dos bocós e dos idiotas, única que cria (e explica) universos absurdos. Só assim para se habilitar a falar e escrever absurdezas e fazer artesanias, e poder exercer a virtude do inútil, no lugar de ser inútil: (mais…)