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Surge um moleque, do nada, e se aboleta numa árvore. Por sorte ou azar, foi escolher logo um bairro nobre, próximo a um shopping. Dão-lhe o apelido de menino-passarinho — ele sonha em ser mágico, *daqueles de baralho*.

Mas o moleque incomoda: chegam a sugerir que *derrubem a árvore para ver se ele vai embora*, sofismam tentando esconder o olhar sanitarista (*não existe preconceito em relação a ele, o problema é a atitude que ele tem* — que atitude?).

*De onde eu venho todo mundo vive em árvores, moça. E eu já morei em outra dessas no fim da rua. Escolhi esta aqui porque testei e nela foi mais fácil colocar minha coisas.* Mas ele também angaria a simpatia de alguns (ainda que minoria, criam um cinturão de proteção), e ganha alimentos, roupas, sobras dos outros. Com duas garrafinhas de refrigerante pela metade, ele divide seu nada com a repórter: *pode levar essa, moça; uma só já dá pra mim*.

Se ele voou do Rio pra Sampa só pra nos dar uma lição, fez muito bem feito. ‘Brigado, Passarim!

*Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!*
>> Mário Quintana

O causo tá aqui, e o final feliz, aqui.

Segundo clichê: comentário do seu Toninho, mais conhecido como *meu pai*:

Esqueçamos tudo e fiquemos com o “final feliz”.
Prova de que Deus ainda não se esqueceu do mundo é que para um “Pio de Almeida” mais um que outro morador da Veiga Filho, o “Menino-Passarinho” encontrou Marias Nilzas, Dulces Santucci, Lucianas Sodré, Marias Rosálias, Gabrielas Nunes, Eduardos Lemos e Nicks Ayer.
Estes podem ter certeza: no dia que “partirem daqui” farão parte da linha de frente da “Unidos da Veiga Filho”, mas não cá em baixo. Lá em cima.

Terceiro clichê: Nicolau, Belisa, Gabi, Eduardo, Rosália, Luciana, Cauê e Tamiê: eis as mães e pães do Gabriel, o menino-passarinho — a história tá aqui.