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:: Brumadinho ::

E eis que este ano o Alfarrábio completa a maioridade: 18 anos. É o meu baú particular, com um pouco de tudo, de peito aberto a quem interessar. Volta agora às atividades com um novo layout, mais uma vez de autoria da Rossana, que faz parte dessa história: ela sempre esteve presente e participou de vários momentos aqui no Alfa, e é a responsável por, além do visual, uma série de novas funcionalidades, que ainda tô descobrindo. Pra dar um gostinho retrô, dos primórdios da blogosfera brazuca, tem até *livro de visitas*:

Livro de Visitas

 

 

 

 

Pra essa reestreia, conto com a valiosa contribuição do caro copoanheiro Rai, direto lá da região da Serra da Canastra, nesse momento de choque diante de mais um crime ambiental e humano:

os morros de minas gerais
escalam azuis abissais
antes que tardios
libertam bençãos
aos mortos
estão em paz

os vales de minas gerais
velam pelos vivos
enlameados
na dor atroz
choram os
deuses
por todos nós

as lágrimas de minas gerais
inundam o mundo
lavram a ferro
a fundo

os mortos de minas gerais
sepultos estão
na lama
no coração

Fica aqui meu abraço fraterno e solidário às vítimas de Brumadinho, de Mariana. Aliás, o Michaelis explica, pelo menos em parte, a tragédia:

bru·ma·do
adj
Vbrumoso, acepção 1.
sm
1 REG (SP) Mato cerrado e baixo, com espinhos e cipós.
2 Terreno aurífero cujo produto não cobre as despesas de exploração.

:: Bricolagem musical ::

Há tempo, muito tempo,
estou longe de casa.
Aliás, minha casa não é minha
(será meu esse lugar?).
Sou apenas um rapaz (nem tão rapaz) latinoamericano, sem dinheiro no banco.
Mas vou levando a vida assim,
levando pra quem me ouvir:
certezas e esperanças pra trocar
por dores e tristezas que,
bem sei,
um dia ainda ainda irão findar.
Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intenção e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito,
Me assombra a súbita impressão de incesto.
Tudo muda. ler mais…

:: Resistência ::

Salve, Sosaci — Sociedade dos Observadores de Saci!
Cultura e resistência, sempre!
 
Manifesto Antropófago revisitado
​Qualquer semelhança com o Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade, do ano de 1928, não se trata de mera coincidência!
 
Só o saci nos une. Sacialmente. Etnicamente. Culturalmente. No ano 449 da deglutição do Bispo Sardinha em Piratininga, e 75 anos após o lançamento do Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade, os saciólogos desta terra vão, aos pulos, convergindo em torno da única lei justa do mundo globalizado. O saci resgata nossa identidade, nossas raízes, o xis da questão tupi. Contra todas as catequeses do Império só nos interessa o que não é deles. A lei do saci.

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:: Etilíricas ::

Fala, Xico Sá: “Procura-se um comunista, desesperadamente”.

É, acho que conheço um dos últimos sobreviventes, mas o cara tá longe… saudades dos bons proseios em Parahytinga, São Luiz, sob os olhares sacizísticos, fraternalmente ateus ao lado da minha formação católica, sempre recheados de citações de escritores os mais variados e explanações etimológicas que iam do latim ao grego e ao russo, passando pelo alemão e recaindo nos mineirismos causísticos (como de fato é mêsssm!), e, etilírica e inevitavelmente, como se pode deduzir, outros saciológos da mesma laia, ou de outras várias, pretinho-branco: saravá!, se juntavam pra poetar e discutir a inevitável implantação da utopia nas terras brasilis, numa Ursal de veias abertas de hermanos multifacetados. ler mais…

:: Gentileza gera gentileza ::

Das voltas que o mundo dá. Ou: sincronicidades inesperadas e fortuitas do dia-a-dia.
Há algumas semanas, a Rose, enquanto fazia uma caminhada, achou uma carteira de habilitação na rua. Fez o mínimo que se poderia esperar dela: tirou uma foto e publicou no feicebúqui, perguntando se alguém conhecia o rapaz. Em poucos dias, a irmã dele fez contato e veio o desfecho: a carteira foi entregue.

Causo simples, não haveria nada demais em uma atitude dessas, mas gratificante ver como pequenas atitudes ainda servem como exemplo do poder que as redes sociais têm (ainda!) de fazer o bem e aproximar pessoas.

Só que… a história não acaba aí. ler mais…

:: Amanda e Paula, e o preconceito ::

Viajar é sempre bom. Acho que isso é incontestável. Mas, claro, cada um vê as viagens com (ou a partir de) seu próprio olhar. Tive o privilégio de ter feito boas, ainda que não bastantes, viagens, por esse Brasilzão. Muitas delas em companhia da querida Rose, outras sozinho, uma inédita e inesperada com meu pai, pros Lençóis Maranhenses. De todas, lembranças deliciosas, cheiros e sabores únicos, paisagens e momentos inenarráveis.

Mas o que fica são as pessoas. Conhecer gentes é algo transcendental, que vai além das paisagens e da arquitetura e da História: as histórias e causos das gentes, a linguagem peculiar e os sotaques, os costumes, as religiões. Tivemos a oportunidade de conhecer (parte de) seis estados do Nordeste, contando as capitais e algumas cidades do interior: Maceió (Alagoas), Salvador (Bahia), João Pessoa (Paraíba), Teresina (Piauí), Natal (Rio Grande do Norte) e Aracaju (Sergipe). Em todas as cidades, um lugar sempre foi obrigatório: ler mais…

:: Esperança x ódio ::

Professora por mais de 30 anos, reconhecida e querida por incontáveis ex-alunos, a Rose estava sossegada no barzinho quando, assim como em inúmeras ocasiões, ouve um alegre e extrovertido “fêssora! Há quanto tempo!”.

É uma moça de seus 20 e poucos anos, acompanhada do namorado. Um casal bonito. Abraços e beijos efusivos, e a moça faz as apresentações: “foi a melhor professora de História que tive”, diz ao rapaz, seguindo-se elogios e perguntas de ambas as partes, como em qualquer reencontro.

Na primeira deixa, porém, o rapaz dispara: ler mais…

:: Pó ::

Insones, os parcos neurônios insistem em se digladiar. É, eles não se entendem: esse papo entre razão e paixão pende pra razão, neurônios que são, mas há um grupinho de rebelados que resvalou pro coração. E, não sei como, esse bandinho de neurônios vermelhos, sinistros, gauches, desgarrados, são capazes de uma balbúrdia quase lisérgica: flashes de lucidez (?) mesclados a insights pseudontelectualóides com pitadas de tragédia grega e toscos registros de poeira de estrada.

Tudo ao mesmo tempo, ouço vozes do Jack London, do Kerouac, do Leminski, do Baudelaire. O uivo do Ginsberg. Um corvo, assum preto, crocita: raven, never, raven, never, raven, never, raven, never, raven… ler mais…

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“O real não está no início nem no fim, ele se mostra pra gente é no meio da travessia…”

Guimarães Rosa
[Grande Sertão Veredas]