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:: Elias: Matemágica ::

Se é de verdade, confesso que não consegui checar. Mas que é impressionante, isso é! O Elias não sabe ler nem escrever, mas tem um dom mágico. Como disse o brôu Marcelo:

putz, o mais lôco é que o cara não sabe ler números nem conhece os símbolos matemáticos!

ou seja, as contas que ele faz de cabeça NÃO SÃO matemática! são qualquer outra coisa, menos matemática.

:: Literatices: HQ ::

Sou só um pretenso literato: sei que li mais do que a média (o que não é mérito nenhum), mas muito menos do que deveria ou queria ou poderia. No meio dessas infinitas descobertas que são os livros, de uns tempos pra cá venho me embrenhando noutras linguagens: os quadrinhos. Muito por culpa dos meus irmãos, o Marcelo e o Cacá, que abriram a Monkix. De zines a autores independentes, passando por adaptações de clássicos da literatura e outras surpresas, tem de tudo um pouco lá: um pequeno universo do que há de mais expressivo na área. Sem contar que, vira-e-mexe, tem algum lançamento ou tarde de autógrafos ou um auê qualquer com direito a cerveja e rock’n roll.

Da leva mais recente, destaco dois livros — diametralmente distintos no tema e na linguagem, mas com algo em comum: sensibilidade. O primeiro, uma ficção marcada pelos traços mais suaves do Guilherme Petreca, mescla piratas, bruxas, malandros e monstros na jornada muda do menino Ye, numa narrativa fantástica pincelada de aventura e magia.

Já o segundo, Ghetto Brother, vem com traços mais ‘brutos’, como aliás convém ao roteiro: o cenário de guerra das gangues do Bronx na década de 1970, e a busca pela paz liderada por Benjy Melendez, num histórico acordo com os líderes das gangues que inspirou filmes como Warriors – Os Selvagens da Noite e é considerado o considerado o marco inicial da cultura hip hop. Tudo fruto das pesquisas do fotógrafo alemão Julian Voloj, traduzido nas ilustrações da também alemã Claudia Ahlering.

Sei que esse é só um registro das minhas parcas impressões, e tá longe de ser uma resenha mais profunda (nem tive essa pretensão): fica como dica pra quem se interessar. Dicas, aliás, que vieram do Marcelo, que saca tudo e mais um pouco de quadrinhos: pode charmar ele aí no feicebúqui que ele responde. Mas — garanto! — vale a pena ir pessoalmente lá na Monkix pra bater um papo com ele.

:: Momento jabá ::
>> Monkix: o site
>> Monkix no Feice

:: Guarabyra: um Causo ‘Licoroso’ ::

Sabe aquele típico causo, quando um cantador-contador relembra quando e como foi feita determinada música? E, em se tratando de uma canção que faz parte do repertório popular, ganha um tom quase que familiar pra quem ouve o causo. Foi o que aconteceu em abril, no EducaMais Jacareí, num show memorável do meu camarada Tuia Lencioni, lançando o CD ‘Reverso Folk’, com as participações especialíssimas do Tavito, Guarabyra e Zé Geraldo. Lá pelas tantas, o Guarabyra soltou o causo. Deixemos que ele conte.

Íntegra do show pode ser (re)vista aqui, num oferecimento da TV Câmara Jacareí.

:: Febeapá ::

Fiquem à vontade pra classificar como non sense, imbecilidade, irracionalidade, intolerância ou simplesmente burrice mesmo — ou tudo isso junto e mais um pouco. Ou, ainda, um ensaio digno do Teatro do Absurdo, do Beckett, e as infinitas possibilidades de exploração da *incomunicabilidade humana*, como lembrou meu caro amigo Claudio Mendel — na definição de Martin Esslin:

*O teatro do absurdo se esforça por expressar o sentido do sem sentido da condição humana, e a inadequação da abordagem racional, através do abandono dos instrumentos racionais e do pensamento discursivo e o realiza através de ‘uma poesia que emerge das imagens concretas e objetificadas do próprio palco’*

Quem me mandou foi o brôu Marcelo, que comentou: *nem nos seus delírios mais febris Stanislaw Ponte Preta poderia imaginar um Febeapá nesse nível*.

O causo é do Gamba Junior, que não conheço, mas agradeço desde já. Segue:

14 de abril às 09:14 · Rio de Janeiro, RJ

UM CAUSO SOBRE A ÚLTIMA MANIFESTAÇÃO PRÓ-IMPEACHMENT

Eu fui à passeata para fotografar. Na ala pró-intervenção militar estava um grupo com banda, a TFP. Fui pedir um folheto da instituição para ler os absurdos. Como já havia acabado, um senhor foi pegar no carro um último e me deu. Enquanto ele me explicava o conteúdo do fôlder que tinha como título “para os sucessores do PT”, uma fiscal da passeata se aproximou e perguntou que folheto o senhor estava distribuindo. Eu mostrei, mas ao ver o título começou a bradar aos seus parceiros que tinha alguém distribuindo folhetos do PT.

Muitos outros vieram e ele explicava que era da TFP e não do PT. Eu também expliquei que o título era: “aos sucessores do PT”, mas não adiantou, ela gritava “então, do PT, sucessor do PT é PT”! Chegou mais gente dizendo que se ele era do PT não podia estar ali, começaram a querer expulsar o velhinho e sua banda. A esta altura eu já estava defendendo o senhor de tamanha burrice: “o texto é para quem for substituir, não para quem está!” Ele só repetia “não sou PT, sou TFP!”

A horda de indignados coxinhas aumentava até que outro senhor do grupo de fiscais se meteu no meio e berrou “vocês estão loucos? Eles são da TFP – Tradição, Família e Propriedade, o grupo que apoiou a ditadura militar e que é de extrema-direita”. Explicou mais uns detalhes sórdidos enquanto os demais se acalmavam. Todos os fiscais entenderam, se acalmaram, abraçaram o velhinho da TFP, pediram desculpas e a bandinha seguiu com a passeata.

Esse causo vai entrar para minha história como o dia em que tive que defender um senhor da TFP.

Esse causo vai entrar para os anais da ignorância de como um grupo tão ignorante pode achar que a TFP defendia o PT.

Esse causo vai entrar para história provando que essa nova direita considera a TFP muito à esquerda dela!

(História verídica)

P.S.: nada a ver, ou, sei lá: enquanto rascunho isso aqui tá tocando Aqualung, do Jethro Tull.

:: Rádio Rock ::

Lá nos longínquos 80’s e 90’s, lá em Guará, havia uma galera que produzia uns programas independentes e alternativos de rádio, only rock’n’roll. Tudo ao vivo, com uma boa (over)dose de improviso. Invariavelmente, o estúdio da rádio era ‘invadido’ por uns & outros, que sempre davam um pitaco aqui e ali e interferia na ‘programação’ — que, na verdade, era uma grande brincadeira. Patrocínio? Eram amigos que se cotizavam pra comprar o horário da rádio, e olhe lá…

Um dos mais expressivos foi o ‘Ressonância’, esse aí que eu ‘vesti a camiseta’, numa foto lá dos tempos da faculdade de botecos antigos, ao lado dos comparsas de República Marcos Correa e Marcelo Pedroso.

E no último sábado parte desses dinossauros se reuniu nos estúdios da 97,1 FM pro ‘Ressonância Especial Quando a Rádio Era Rock’: Luiz Carlos Verza, Beto Branco, Luciano Amazonas e Petrônio Vilela — são os quatro elementos aí da foto mais abaixo.

Mas, com vocês, seguem aí quase três horas com as mais variadas expressões do rock:


Eu, Marcos & Marcelo


Luiz Carlos, Luciano Amazonas, Petrônio e Beto Branco

Segundo clichê: com a valiosíssima colaboração do Luís Ricardo, seguem os nomes dos responsáveis culpados pelos programas:

.:: Ressonância: Tchélo Nunes [in memorian]
.:: Overdose: Luiz Carlos
.:: Radiação: Petrônio
.:: Geração 90: Chico
.:: Comando Brasil: Oldemar Telles e Luís Ricardo

Terceiro clichê: e o post atiçou a prodigiosa memória do meu irmão, o Marcelo, que manda mensagem e o link pra *Amanhã*, do Caetano:

*sobre o *Comando Brasil*: o programa rolava aos sábados à noite, e essa foi uma que eles tocaram num dia 31 de dezembro, quase certeza que foi 1988*

Me assusto, claro, e pergunto se houve algo marcante naquela noite, enquanto confiro no Google em que dia da semana caiu aquele tal de 31/12/88 — é, foi um sábado! E ele, como se fosse a coisa mais óbvia e clara do mundo:

*31 de dezembro, um sábado, eles tocaram *Amanhã*, do Caetano. O Oldemar ainda falou uma mensagem de ano novo antes da música. Saímos do programa, fomos pra casa cear e depois, Itaguará.

Ele se refere ao Itaguará Country Clube, palco de réveillons obrigatórios — só não digo também *inesquecíveis* porque, invariavelmente, o ano começava com um certo teor etílico algo acima do normal, o que frequentemente provocava amnésia…

Erramos: Marcelo também acaba traído pela memória prodigiosa — ele me chama e avisa:

*ah, uma lembrança que me veio ontem, vale a correção: a versão de *Amanhã* que o Oldemar tocou no programa foi do Guilherme Arantes, e não do Caetano.

Então, taí:

Mas, ainda assim, fiquemos também com o Caetano, e com a bela lembrança do Marcelo:

:: Trevas Culturais ::

~ Breve Histórico ~

Estamos em um cidade que se orgulha de sua pujança econômica, de ser um polo tecnológico, de se autointitular a *capital* da região, de estar na vanguarda (?), de ser terra natal do modernista (e nacionalista) Cassiano Ricardo.

A Fundação Cultural local, batizada com o nome do poeta, encaminha à Câmara o projeto pra criação do Sistema Municipal de Cultura. Mas eis que do texto original são extirpadas, sem dó nem piedade, todas as menções a *diversidade*, *transversalidade* e afins, excluindo trechos e conceitos como *respeito às diferenças culturais*, *liberdade de expressão e criação*, *combater a discriminação e o preconceito de qualquer espécie ou natureza*, *direito à identidade, diferenças e diversidade culturais*.

O autor da façanha é um senhorzinho de 70 anos, um oriental de feições simpáticas que lembra aquele feirante atencioso e bonachão. Mas, do alto de sua quinta (5ª!) legislatura, o senhor Walter Katsunori Hayashi conseguiu, numa facada só, sugerir a alteração de 22 artigos do texto original, mutilando completamente o conceito, a forma e o conteúdo da proposta.

A justificativa do sr. Hayashi seria risível, se não fosse trágica e remetesse a mesma cidade vanguardista às brumas medievais (putz!, consegui). E, com toda candura, ele diz com todas as letras em entrevista à tv que, ironicamente, se chama *vanguarda* — confiram com seus próprios olhos e ouvidos aí no vídeo.

– O texto original acabou sendo aprovado, após a mobilização da classe artística e cultural. Mas passou raspando, com o placar final de 11 a 9. Ou seja: o medievalismo segue vivo, e à espreita, pronto pro próximo bote [*].

Pra saber mais: “Diversidade Cultural” incomoda vereadores da oposição em São José

[*] Basta conferir, por exemplo, a reação dessa moça ao extrapolar toda sua energia em nome do *povo cristão* e da *família joseense*: clique aqui.

:: Travessia ~ Margem ::

Camarada Luciano Coca manda a provocação, a partir de *cena registrada no Bairro do Raizeiro, zona rural de Parahytinga, São Luiz, em um fim de tarde primaveril*:

Nosso novo desafio: resuma em uma frase qual é o sentimento que essa cena desperta em você. Ou seja: “Que encanto é esse?”.
Solte sua imaginação e boa viagem.

E a cena:


Como sempre, soltei lá, ainda que impunemente:

*margens do porvir, terceiras margens no navegar preciso à luz do ser tão humano*

É mais do que óbvia a referência ao Guimarães Rosa, e a um de seus mais emblemáticos contos (talvez *o* conto). Mas cena diz muito mais, e poderia ficar horas e horas repetindo-a, e a cada momento surgiriam novas interpretações. Essa *provocação* do Coca, e essa riqueza infinita de cenas, cores, gentes, cheiros e paisagens, integram um projeto maior do próprio Coca, o Revelando o Vale:

uma jornada fotográfica pelas histórias, estórias, paisagens, miragens e cenas, tradições e costumes da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.

O acervo tá crescendo a cada dia, mas bem sei da missão impossível a que o Coca se propôs: essa nossa região é pródiga em belezas e gentes e causos. Aliás, pra ficar ainda mais impossível: duvido que o camarada conte, em causo, a feitura de cada foto…

Mas, a propósito, eis que o jornal Estado de Minas dá um tempo nas manchetes espúrias desses tempos nebulosos que vivemos e nos brinda com uma reportagem pra lá de bacana:

Estado de Minas inicia homenagens aos 60 anos da obra fundamental de João Guimarães Rosa com relatos das jornadas de vidas e mortes de anônimos Diadorins do sertão mineiro em busca da própria identidade. Pessoas que, como a misteriosa criação do escritor, tiveram coragem para enfrentar os perigos e, tão certas de si, vivem “o calor de tudo”.

***Travessia***
Gustavo Werneck (textos), Alexandre Guzanshe (fotos) e Fred Bottrel (vídeos)
>> confira aqui

Só pra constar, registre-se o pretenso ensaio que cometi em 2002, pra marcar o início dessa história toda:

Foi publicado originalmente na NovaE no dia 19 de maio de 2002, exatamente no aniversário de 50 anos do início da viagem que resultou no *Grande Sertão: Veredas*.
>> confira aqui

:: Petaloso Pretupitério ::

Que a língua é viva e tem dinâmica própria a gente já sabe. E vive e se multiplica e se replica independentemente e à revelia e contra as regras academicistas. Por isso é linda e apaixonante e, por si mesma, inspiradora. Que o diga o Mestre-maior-de-todos, Guimarães Rosa:

*De certo que eu amava a língua. Apenas, não a amo como a mãe severa, mas como a bela amante e companheira… Mas ainda haveria mais, se possível…: além, dos estados líquidos e sólidos, porque não tentar trabalhar a língua também em estado gasoso?*
João Guimarães Rosa, em carta a João Condé (1946)

Claro que não resisto a citar o Rosa, ainda que impunemente, em um textinho gasoso e improvisado como esse. Improviso e gambiarra que também são ingredientes dessa alquimia que (re)transfigura a língua permanentemente. Ou: ó p’cê vê..

Mas isso porque, por intermédio ou culpa do mestre Sergio Léo, fico sabendo da deliciosa história do delicioso causo do surgimento da palavra *petaloso*, em italiano. Mestre SLeo invoca o *não-preconceito linguístico*, com propriedade, o que não tira o sabor e o colorido da poesia que nasceu de um *belo erro* (transgressão voluntária ou não) e da sensibilidade da professora: *petaloso* foi criada por Matteo, de 8 anos.

“Petaloso”. Esta é a mais nova palavra do idioma italiano e foi criada por um menino de 8 anos de idade, em um “erro” escolar. O curioso caso gerou tanta repercussão na Itália que até o primeiro­-ministro, Matteo Renzi, e a montadora Fiat já adotaram a expressão, que significa literalmente “ter muitas pétalas”, mas se refere a algo “bonito”. Matteo, filho do casal Lisa e Marco, escreveu a palavra “petaloso” durante uma aula na escola primária “Marchesi”, localizada na cidade de Copparo, região da Emilia Romagna. A palavra foi bem­ vista pela professora Margherita Aurora, de 42 anos, que divulgou a criação de Matteo.

Em poucas horas, “petaloso” já despontava nos trendings topics do Twitter e do Facebook. “Matteo foi muito inteligente, mas isso poderia ter acontecido com qualquer outra criança da turma, pois eu sempre tento desenvolver nos meus alunos uma certa fantasia, criatividade. Acredito que o que aconteceu tenha sido fruto do trabalho que fazemos todos juntos”, disse Aurora.

De acordo com a professora, a palavra surgiu durante uma atividade sobre adjetivos. O menino escreveu “petaloso” para definir a palavra “flor”. Apesar de Aurora circular o termo com uma caneta vermelha para sinalizar o “erro”, acrescentou um comentário na correção para estimular a criança: “belo”. “Apesar da palavra não existir, gostei dela. Por isso, recomendei enviá­-la à Academia Crusca para uma avaliação”, explicou Aurora. Após analisar o novo termo, a Academia admitiu que a palavra pode ser incorporada ao idioma italiano caso seu uso passe a ser recorrente.

Matéria original da Ansa:
Menino de 8 anos inventa nova palavra no idioma italiano
“Petaloso” já foi usada pelo premier Renzi e pela FCA

Se a criatividade e liberdade e *molecagem* do Matteo e das crianças são naturais, consolo-me por saber que esse mesmo espírito lúdico pode — e deve! — ser preservado. E a gente brinca e tem o privilégio de respirar e compartilhar os ares e paisagens de algumas *crianças*. Claro que, obviamente, há ares e lugares e paisagens que favorecem a proliferação de certas espécies especiais, estas, por sua vez, genitoras de espécimes sui generis e endêmicos como um Marquinho Rio Branco. Há outros diversos, nascidos e criados em bambuzais e amamentados em alambiques imemoriais, alguns até que camaleonicamente se disfarçam de professores ou fotógrafos ou jornalistas ou açougueiros ou advogados (ou… ou…), mas todos cientes da missão sagrada de vivenciar e difundir a gostosa e saudável loucura de se reinventar e transgredir a cada dia, a cada lua. E, pois, abram aspas:

Claro que, enquanto *cidadãos de bem* e *defensores da família brasileira* que somos, permitimo-nos o uso de palavras de baixo calão somente em casos excepcionais, e/ou como exercício pleno da nossa expressão mais pura. Que interjeição ou exclamação, por exemplo, é mais clara e direta que um sonoro *putaqueopariu!*?

Mas, com o intuito de enriquecer nosso léxico já tão maltratado, filho bastardo dessa inculta e bela, fica, pois, instituída a mais genuína contribuição de Jacareí não apenas pras letras brasílicas, mas pra todo o mundo, quiçá o universo — e não poderíamos deixar de registrar tão nobre gesto, digno, naturalmente, do Domun Lolerapa #:

Cultora de um vocabulário à la Rui Barbosa, mas não satisfeita, de lavra própria a digníssima sra. Rose Bicarato cunhou o termo, que carece ainda de um estudo à altura por parte de nossos filólogos e quetais — interjeição? exclamação? adjetivo? substantivo? ou ainda um vocábulo que transcende a gramática convencional, sendo multicaracterizado como potencialmente detentor, a um só tempo, de todos os atributos de todas as classes gramaticais?

Toda essa verborragia tenta fazer jus a um momento tão solene — mas apenas tenta, em vão, por maiores que sejam os nossos (parcos) esforços. Resignemo-nos, pois, à grandeza da ilustríssima e nobilíssima sra. Rose Bicarato, e exaltemos sua expressão maior:

*PRETUPITÉRIO*

Que assim seja.

Ou: de como a visão pura (um *belo erro*) da criança de 8 anos ganhou *vida* sob o olhar lúdico e sensível da professora.

# Domun Lolerapa: fui desafiado pelo camarada Luciano Coca a integrar tão ambicioso projeto e, ainda que ciente das minhas limitações, aceitei honrado. Mas, como tudo o que vem de Parahytinga, São Luiz, e de mentes tão inquietas e ébrias como a de cidadãos como o supracitado (típicas, aliás, daqueles rincões), o projeto foi postergado — ou melhor, foi colocado em algum barril de carvalho pra envelhecer e ganhar aroma e sabor. Enquanto isso, o Coca saiu por aí, tirando retratos e mais retratos do nosso Vale do Paraíba (tenho pra mim que, na verdade, ele foi contratado pra algum projeto secreto do IBGE pra fazer o censo das porteiras por esses sertões nossos). Ah! sobre o Domun Lolerapa, saiba mais aqui.

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“O real não está no início nem no fim, ele se mostra pra gente é no meio da travessia…”

Guimarães Rosa
[Grande Sertão Veredas]