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:: Tim-tim, Nearis ::

Com certeza você conhece esse rótulo, mas com outro nome. Bom, se os gringos quiserem fazer justiça (difícil…), esse é o verdadeiro nome de um dos uísques mais consumidos no mundo. (Parênteses: uísque ou bourbon? Sei que todo bourbon é uísque, mas nem todo uísque é bourbon. Ok, brindemos, de qualquer maneira.)

Deixo a Hypeness contar o causo:

Você provavelmente nunca ouviu falar de Nearis Green, um escravo negro de uma destilaria nos Estados Unidos em meados do século XIX. Mas certamente você já ouviu falar do então jovem Jasper Daniel, mais conhecido como Jack Daniel que, 150 anos atrás, começou uma marca de uísque. O que ninguém sabe é que foi Nearis quem ensinou tudo a Jack. Aos poucos a verdadeira história do uísque mais vendido do mundo (e de uma das marcas mais icônicas dos Estados Unidos) vai revelando que quem estava por trás da receita e das técnicas de destilação do Jack Daniel’s era um escravo. [>> segue]

Quem me repassou a novidade, que nem é tão nova assim, foi o brôu Marcelo — que também é o autor da arte do novo rótulo. E vem dele, também, a dica do post da Lana, que emenda outro causo aí:


Nearis Green e Jack Daniel

:: Elias: Matemágica ::

Se é de verdade, confesso que não consegui checar. Mas que é impressionante, isso é! O Elias não sabe ler nem escrever, mas tem um dom mágico. Como disse o brôu Marcelo:

putz, o mais lôco é que o cara não sabe ler números nem conhece os símbolos matemáticos!

ou seja, as contas que ele faz de cabeça NÃO SÃO matemática! são qualquer outra coisa, menos matemática.

:: Literatices: HQ ::

Sou só um pretenso literato: sei que li mais do que a média (o que não é mérito nenhum), mas muito menos do que deveria ou queria ou poderia. No meio dessas infinitas descobertas que são os livros, de uns tempos pra cá venho me embrenhando noutras linguagens: os quadrinhos. Muito por culpa dos meus irmãos, o Marcelo e o Cacá, que abriram a Monkix. De zines a autores independentes, passando por adaptações de clássicos da literatura e outras surpresas, tem de tudo um pouco lá: um pequeno universo do que há de mais expressivo na área. Sem contar que, vira-e-mexe, tem algum lançamento ou tarde de autógrafos ou um auê qualquer com direito a cerveja e rock’n roll.

Da leva mais recente, destaco dois livros — diametralmente distintos no tema e na linguagem, mas com algo em comum: sensibilidade. O primeiro, uma ficção marcada pelos traços mais suaves do Guilherme Petreca, mescla piratas, bruxas, malandros e monstros na jornada muda do menino Ye, numa narrativa fantástica pincelada de aventura e magia.

Já o segundo, Ghetto Brother, vem com traços mais ‘brutos’, como aliás convém ao roteiro: o cenário de guerra das gangues do Bronx na década de 1970, e a busca pela paz liderada por Benjy Melendez, num histórico acordo com os líderes das gangues que inspirou filmes como Warriors – Os Selvagens da Noite e é considerado o considerado o marco inicial da cultura hip hop. Tudo fruto das pesquisas do fotógrafo alemão Julian Voloj, traduzido nas ilustrações da também alemã Claudia Ahlering.

Sei que esse é só um registro das minhas parcas impressões, e tá longe de ser uma resenha mais profunda (nem tive essa pretensão): fica como dica pra quem se interessar. Dicas, aliás, que vieram do Marcelo, que saca tudo e mais um pouco de quadrinhos: pode charmar ele aí no feicebúqui que ele responde. Mas — garanto! — vale a pena ir pessoalmente lá na Monkix pra bater um papo com ele.

:: Momento jabá ::
>> Monkix: o site
>> Monkix no Feice

:: Guarabyra: um Causo ‘Licoroso’ ::

Sabe aquele típico causo, quando um cantador-contador relembra quando e como foi feita determinada música? E, em se tratando de uma canção que faz parte do repertório popular, ganha um tom quase que familiar pra quem ouve o causo. Foi o que aconteceu em abril, no EducaMais Jacareí, num show memorável do meu camarada Tuia Lencioni, lançando o CD ‘Reverso Folk’, com as participações especialíssimas do Tavito, Guarabyra e Zé Geraldo. Lá pelas tantas, o Guarabyra soltou o causo. Deixemos que ele conte.

Íntegra do show pode ser (re)vista aqui, num oferecimento da TV Câmara Jacareí.

:: Febeapá ::

Fiquem à vontade pra classificar como non sense, imbecilidade, irracionalidade, intolerância ou simplesmente burrice mesmo — ou tudo isso junto e mais um pouco. Ou, ainda, um ensaio digno do Teatro do Absurdo, do Beckett, e as infinitas possibilidades de exploração da *incomunicabilidade humana*, como lembrou meu caro amigo Claudio Mendel — na definição de Martin Esslin:

*O teatro do absurdo se esforça por expressar o sentido do sem sentido da condição humana, e a inadequação da abordagem racional, através do abandono dos instrumentos racionais e do pensamento discursivo e o realiza através de ‘uma poesia que emerge das imagens concretas e objetificadas do próprio palco’*

Quem me mandou foi o brôu Marcelo, que comentou: *nem nos seus delírios mais febris Stanislaw Ponte Preta poderia imaginar um Febeapá nesse nível*.

O causo é do Gamba Junior, que não conheço, mas agradeço desde já. Segue:

14 de abril às 09:14 · Rio de Janeiro, RJ

UM CAUSO SOBRE A ÚLTIMA MANIFESTAÇÃO PRÓ-IMPEACHMENT

Eu fui à passeata para fotografar. Na ala pró-intervenção militar estava um grupo com banda, a TFP. Fui pedir um folheto da instituição para ler os absurdos. Como já havia acabado, um senhor foi pegar no carro um último e me deu. Enquanto ele me explicava o conteúdo do fôlder que tinha como título “para os sucessores do PT”, uma fiscal da passeata se aproximou e perguntou que folheto o senhor estava distribuindo. Eu mostrei, mas ao ver o título começou a bradar aos seus parceiros que tinha alguém distribuindo folhetos do PT.

Muitos outros vieram e ele explicava que era da TFP e não do PT. Eu também expliquei que o título era: “aos sucessores do PT”, mas não adiantou, ela gritava “então, do PT, sucessor do PT é PT”! Chegou mais gente dizendo que se ele era do PT não podia estar ali, começaram a querer expulsar o velhinho e sua banda. A esta altura eu já estava defendendo o senhor de tamanha burrice: “o texto é para quem for substituir, não para quem está!” Ele só repetia “não sou PT, sou TFP!”

A horda de indignados coxinhas aumentava até que outro senhor do grupo de fiscais se meteu no meio e berrou “vocês estão loucos? Eles são da TFP – Tradição, Família e Propriedade, o grupo que apoiou a ditadura militar e que é de extrema-direita”. Explicou mais uns detalhes sórdidos enquanto os demais se acalmavam. Todos os fiscais entenderam, se acalmaram, abraçaram o velhinho da TFP, pediram desculpas e a bandinha seguiu com a passeata.

Esse causo vai entrar para minha história como o dia em que tive que defender um senhor da TFP.

Esse causo vai entrar para os anais da ignorância de como um grupo tão ignorante pode achar que a TFP defendia o PT.

Esse causo vai entrar para história provando que essa nova direita considera a TFP muito à esquerda dela!

(História verídica)

P.S.: nada a ver, ou, sei lá: enquanto rascunho isso aqui tá tocando Aqualung, do Jethro Tull.

:: Rádio Rock ::

Lá nos longínquos 80’s e 90’s, lá em Guará, havia uma galera que produzia uns programas independentes e alternativos de rádio, only rock’n’roll. Tudo ao vivo, com uma boa (over)dose de improviso. Invariavelmente, o estúdio da rádio era ‘invadido’ por uns & outros, que sempre davam um pitaco aqui e ali e interferia na ‘programação’ — que, na verdade, era uma grande brincadeira. Patrocínio? Eram amigos que se cotizavam pra comprar o horário da rádio, e olhe lá…

Um dos mais expressivos foi o ‘Ressonância’, esse aí que eu ‘vesti a camiseta’, numa foto lá dos tempos da faculdade de botecos antigos, ao lado dos comparsas de República Marcos Correa e Marcelo Pedroso.

E no último sábado parte desses dinossauros se reuniu nos estúdios da 97,1 FM pro ‘Ressonância Especial Quando a Rádio Era Rock’: Luiz Carlos Verza, Beto Branco, Luciano Amazonas e Petrônio Vilela — são os quatro elementos aí da foto mais abaixo.

Mas, com vocês, seguem aí quase três horas com as mais variadas expressões do rock:


Eu, Marcos & Marcelo


Luiz Carlos, Luciano Amazonas, Petrônio e Beto Branco

Segundo clichê: com a valiosíssima colaboração do Luís Ricardo, seguem os nomes dos responsáveis culpados pelos programas:

.:: Ressonância: Tchélo Nunes [in memorian]
.:: Overdose: Luiz Carlos
.:: Radiação: Petrônio
.:: Geração 90: Chico
.:: Comando Brasil: Oldemar Telles e Luís Ricardo

Terceiro clichê: e o post atiçou a prodigiosa memória do meu irmão, o Marcelo, que manda mensagem e o link pra *Amanhã*, do Caetano:

*sobre o *Comando Brasil*: o programa rolava aos sábados à noite, e essa foi uma que eles tocaram num dia 31 de dezembro, quase certeza que foi 1988*

Me assusto, claro, e pergunto se houve algo marcante naquela noite, enquanto confiro no Google em que dia da semana caiu aquele tal de 31/12/88 — é, foi um sábado! E ele, como se fosse a coisa mais óbvia e clara do mundo:

*31 de dezembro, um sábado, eles tocaram *Amanhã*, do Caetano. O Oldemar ainda falou uma mensagem de ano novo antes da música. Saímos do programa, fomos pra casa cear e depois, Itaguará.

Ele se refere ao Itaguará Country Clube, palco de réveillons obrigatórios — só não digo também *inesquecíveis* porque, invariavelmente, o ano começava com um certo teor etílico algo acima do normal, o que frequentemente provocava amnésia…

Erramos: Marcelo também acaba traído pela memória prodigiosa — ele me chama e avisa:

*ah, uma lembrança que me veio ontem, vale a correção: a versão de *Amanhã* que o Oldemar tocou no programa foi do Guilherme Arantes, e não do Caetano.

Então, taí:

Mas, ainda assim, fiquemos também com o Caetano, e com a bela lembrança do Marcelo:

:: Trevas Culturais ::

~ Breve Histórico ~

Estamos em um cidade que se orgulha de sua pujança econômica, de ser um polo tecnológico, de se autointitular a *capital* da região, de estar na vanguarda (?), de ser terra natal do modernista (e nacionalista) Cassiano Ricardo.

A Fundação Cultural local, batizada com o nome do poeta, encaminha à Câmara o projeto pra criação do Sistema Municipal de Cultura. Mas eis que do texto original são extirpadas, sem dó nem piedade, todas as menções a *diversidade*, *transversalidade* e afins, excluindo trechos e conceitos como *respeito às diferenças culturais*, *liberdade de expressão e criação*, *combater a discriminação e o preconceito de qualquer espécie ou natureza*, *direito à identidade, diferenças e diversidade culturais*.

O autor da façanha é um senhorzinho de 70 anos, um oriental de feições simpáticas que lembra aquele feirante atencioso e bonachão. Mas, do alto de sua quinta (5ª!) legislatura, o senhor Walter Katsunori Hayashi conseguiu, numa facada só, sugerir a alteração de 22 artigos do texto original, mutilando completamente o conceito, a forma e o conteúdo da proposta.

A justificativa do sr. Hayashi seria risível, se não fosse trágica e remetesse a mesma cidade vanguardista às brumas medievais (putz!, consegui). E, com toda candura, ele diz com todas as letras em entrevista à tv que, ironicamente, se chama *vanguarda* — confiram com seus próprios olhos e ouvidos aí no vídeo.

– O texto original acabou sendo aprovado, após a mobilização da classe artística e cultural. Mas passou raspando, com o placar final de 11 a 9. Ou seja: o medievalismo segue vivo, e à espreita, pronto pro próximo bote [*].

Pra saber mais: “Diversidade Cultural” incomoda vereadores da oposição em São José

[*] Basta conferir, por exemplo, a reação dessa moça ao extrapolar toda sua energia em nome do *povo cristão* e da *família joseense*: clique aqui.

:: Travessia ~ Margem ::

Camarada Luciano Coca manda a provocação, a partir de *cena registrada no Bairro do Raizeiro, zona rural de Parahytinga, São Luiz, em um fim de tarde primaveril*:

Nosso novo desafio: resuma em uma frase qual é o sentimento que essa cena desperta em você. Ou seja: “Que encanto é esse?”.
Solte sua imaginação e boa viagem.

E a cena:


Como sempre, soltei lá, ainda que impunemente:

*margens do porvir, terceiras margens no navegar preciso à luz do ser tão humano*

É mais do que óbvia a referência ao Guimarães Rosa, e a um de seus mais emblemáticos contos (talvez *o* conto). Mas cena diz muito mais, e poderia ficar horas e horas repetindo-a, e a cada momento surgiriam novas interpretações. Essa *provocação* do Coca, e essa riqueza infinita de cenas, cores, gentes, cheiros e paisagens, integram um projeto maior do próprio Coca, o Revelando o Vale:

uma jornada fotográfica pelas histórias, estórias, paisagens, miragens e cenas, tradições e costumes da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.

O acervo tá crescendo a cada dia, mas bem sei da missão impossível a que o Coca se propôs: essa nossa região é pródiga em belezas e gentes e causos. Aliás, pra ficar ainda mais impossível: duvido que o camarada conte, em causo, a feitura de cada foto…

Mas, a propósito, eis que o jornal Estado de Minas dá um tempo nas manchetes espúrias desses tempos nebulosos que vivemos e nos brinda com uma reportagem pra lá de bacana:

Estado de Minas inicia homenagens aos 60 anos da obra fundamental de João Guimarães Rosa com relatos das jornadas de vidas e mortes de anônimos Diadorins do sertão mineiro em busca da própria identidade. Pessoas que, como a misteriosa criação do escritor, tiveram coragem para enfrentar os perigos e, tão certas de si, vivem “o calor de tudo”.

***Travessia***
Gustavo Werneck (textos), Alexandre Guzanshe (fotos) e Fred Bottrel (vídeos)
>> confira aqui

Só pra constar, registre-se o pretenso ensaio que cometi em 2002, pra marcar o início dessa história toda:

Foi publicado originalmente na NovaE no dia 19 de maio de 2002, exatamente no aniversário de 50 anos do início da viagem que resultou no *Grande Sertão: Veredas*.
>> confira aqui

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“O real não está no início nem no fim, ele se mostra pra gente é no meio da travessia…”

Guimarães Rosa
[Grande Sertão Veredas]