Aviso: este blog se dedica, entre outras questões menos (ou mais) *nobres*, ao jornalismo. Este post, aparentemente sadô-masô, deve ser lido sob esta ótica (pelo menos é nossa intenção). ‘Brigado.
Notícia de um ano atrás, lembro-me de tê-la vista na época, mas talvez a *emoção* me tenha impedido de registrá-la aqui. Deu (ôps!) n’ODiário, de Londrina, Paraná: *Vibrador ecologicamente correto transforma prazer em terror em Maringá*. Sem nenhum dúvida, merece *entrar pros (nos?) anais* (ôps! ôps!) do jornalismo, sob a rubrica *história universal da infâmia* — menos que a notícia em si (se é verídica ou não, é o que menos importa), mas principal e fundamentalmente pela forma com que foi relatada com a sensibilidade e, digamos, singeleza, pelo escriba Clóvis Augusto Melo. Segue:
Um homem solitário. Um filme pornô. E uma abobrinha. Esses três itens, aparentemente sem nenhuma, ou pouca, conexão, se tornaram personagens de uma história inusitada em Maringá nesta semana. E que acabou em uma cirurgia de emergência.
O homem de 63 anos estava em casa, alta madrugada de uma terça-feira sem graça, e decidiu assistir a um filme pornográfico. Entusiasmado com as performances dos atores, resolveu inserir um pouco mais de prazer em sua vida. Na falta de um consolo, revirou a despensa e reparou que, nas formas inocentes de uma abobrinha, havia um instrumento erótico em potencial.
Voltou à sala, o sexo correndo solto no DVD. Excitado, sacou da fruta (sim, é uma fruta) e introduziu seu vibrador ecologicamente correto no ânus. Triste destino o do vegetal, que escapou da panela para cair diretamente no fogo de uma paixão proibida.
O prazer se transforma em medo. Desconhecendo o poder de sucção de seu próprio reto, o homem se vê às voltas com uma abobrinha entalada e que não quer mais sair. Desesperado, tenta arrancar a fruta cilíndrica a todo custo – e quebra a dita ao meio. Um pedaço de tamanho considerável teimosamente se aloja no âmago do homem, cuja excitação inicial deu lugar a um terror incontrolável.
Às favas com a privacidade. Para salvar o próprio traseiro, é preciso colocá-lo na reta. Encaminha-se ao hospital, diz que há um objeto estranho em seu ânus. Enrola para dizer o que é e como foi parar lá dentro. Os médicos alertam que qualquer tipo de intervenção tem risco redobrado se eles não souberem exatamente o que aconteceu, e como. Pedem que o homem se acalme e sente para contar detalhadamente seu caso. Ele permanece em pé e se rende às argumentações dos especialistas. Conta tudo, afogueadamente, mas falando baixinho.
É um caso sério. Guias são preenchidas, exames são solicitados. Um raio-x descortina o renitente pedaço de abobrinha no interior do homem, a prova de um impossível caso de amor entre dois espécimes de reinos distintos. Aturdidos, os médicos decidem que é um caso de cirurgia. E de urgência.
O procedimento é realizado, o SUS – esse instituto tão criticado e vilipendiado – custeia a devolução da dignidade ao maringaense incauto. Aquele pedaço de mau caminho foi definitivamente retirado da vida dele.




Biquinha, essa é ótima mesmo
Olá, Paulo…
Agradeço a citação em sua página. Cumpre informar que, para o bem e para o mal, a informação é verdadeira.
Abraço!
Ôpa!
Valeu, Clóvis!
Quando comentei que o fato de a notícia ser verídica ou não, foi mais por brincadeira mesmo 🙂
O que vale aí é o seu texto — parabéns!
Abraçãos!