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A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre Contra o Império do Nuncamais

Década de 60 do século (milênio!) passado. Um cara que hoje é um distinto senhor, ares de nobre, até, era então um garotão que experimentou fazer por aqui, nas Terras Brasilis, um tipo de música pop, sofisticada e experimental como se fazia no exterior. Era o “Príncipe”: Ronnie Von. Até que chegou a Jovem Guarda e, com ela, aquele que viria a ser intitulado “Rei”: Roberto Carlos. A mídia (sempre ela) tentou criar um clima entre os dois, uma disputa comercial que, na verdade, nunca houve. Ao mesmo tempo, nascia a Tropicália, outro marco na história da música brazuca. Ou seja: aquela época foi um caldeirão explosivo que tentava sobreviver em meio à ditadura.

Roberto Carlos explodiu, ganhou cada vez mais espaço, e Ronnie Von ficou na dele, fazendo um som bem menos comercial e que, até hoje, soa vanguardista. E ele teve uma fase ainda mais maluca, lisérgica e psicodélica total, com uns três discos que passaram quase batidos na época, mas hoje são cultuados e contaram inclusive com relançamento em vinil. (Parênteses: em 1966, o programa “O Pequeno Mundo de Ronnie Von”, da TV Record, abriu espaço pra um irreverente trio que dava seus primeiros passos: “Os Bruxos”. Ronnie rebatizou o trio, formado por um maluco de carteirinha, Arnaldo Baptista, seu irmão, Sérgio Dias, e uma tal de Rita Lee. Nasciam “Os Mutantes”. Fecha parênteses.)

Voltemos ao Ronnie Von. Entre os discos da fase psicodélica, descobri agora (antes tarde do que nunca) uma verdadeira pérola, com um nome pra lá de sugestivo: A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre Contra o Império do Nuncamais”. Melhor do que minhas toscas impressões, tentando viajar na viagem do Ronnie, fiquem com ele mesmo:

Atlântida (Atlantis)

O continente de Atlântida foi uma ilha
Que existiu antes do Grande Dilúvio
Na área em que agora chamamos Oceano Atlântico
Tão grande em área de terra que de suas praias ocidentais
Seus jovens marinheiros navegavam ao sul da América do Norte
Com serenidade em suas naves com velas pintadas
Ao leste: África era uma vizinha através de pequeno estreito de milhas de mar
Os grandes egípcios dos princípios foram remanescentes da cultura atlante
Os reis antideluvianos colonizaram o mundo
Todos os deuses que atuaram nos dramas mitológicos
E todas as lendas de todas as terras vieram da misteriosa Atlântida
Conhecendo seu destino, Atlântida enviou suas naves a todos os cantos do mundo
A bordo, partiram doze:
O poeta, o médico, o fazendeiro, o cientista, o mágico
E os outros conhecidos deuses de nossas lendas, pois deuses eles eram
E os nossos pais preferiram continuar cegos a isto
Libertemos nossa alegria, vamos cantar e dançar mostrando a verdade
Salve Atlântida!

No fundo do oceano
Onde eu quero estar
Ela está

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A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre Contra o Império do Nuncamais

Fico com a certeza de que não sei nada da história da nossa música e, em particular, das “raízes” do nosso rock. Tanto que, fuçando aqui nas internetes, descubro outra pérola, mais recente, de 2013: “Ronnie Von: quando éramos príncipes”, um documentário sobre a fase lisérgica dele. Filme do jornalista Ricardo Alexandre, dirigido por Caco Souza, traz depoimentos do Arnaldo Baptista, Rita Lee, Sérgio Dias, Arnaldo Saccomani e Manoel Barenbein, entre outros, com a banda “Os Haxixins” e Pedro Skywalker rearranjando alguns daqueles sons psicodélicos – e com a participação do Ronnie, claro. Segue aí:

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o teaser

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e o documentário