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Galera discutindo na lista sobre o significado da palavra MetaReciclagem. É tudo, e não se chega a um consenso. Mas eis que o Guimarães Rosa vem me ajudar. O diálogo dos vaqueiros em *Cara-de-Bronze*, conto do livro No Urubuquaquá, no Pinhém, bem que pode ser uma definição da MetaReciclagem:

O vaqueiro Noró: Que relembra os formatos do orvalho… E bonitas desordens, que dão alegria sem razão e tristezas sem necessidade.
O vaqueiro Abel: Não-entender, não-entender, até se virar menino.
O vaqueiro José Uéua: Jogar nos ares um montão de palavras, moedal.
O vaqueiro Mainarte: Era só uma claridade diversa diferente…
O vaqueiro Cicica: Dislas. E aquilo dava influição. Como que ele queria era botar a gente toda endoidecendo festinho…
O vaqueiro Parão: Tudo no quilombo do Faz-de-Conta…
O vaqueiro Pedro Franciano: Eu acho que ele queria era ficar sabendo o tudo e o miúdo.
O vaqueiro Tadeu: Não, gente, minha gente: que não era o-tudo-e-o-miúdo…
O vaqueiro Pedro Franciano: Pois então?
O vaqueiro Tadeu: …Queria era que se achasse para ele o quem das coisas!

[Copiei ipsis literis, com os respectivos negritos, da edição da Nova Fronteira, págs. 107 e 108.]

Atualização: No Urubuquaquá, no Pinhém era um dos poucos livros do Rosa que eu ainda não havia lido. Passando num sebo, há umas duas semanas, dei de cara com ele. Foram os R$ 20 mais bem gastos dos últimos tempos (e paguei a metade do preço das livrarias) — Recado do Morro é simplesmente antológico.