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*Quem sabe direito o que uma pessoa é? Antes sendo: julgamento é sempre defeituoso, porque o que a gente julga é o passado.*
*Eu sou é eu mesmo. Divirjo de todo o mundo…*
*Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa.*

Se há algo que me dá aquela pontinha de orgulho (com toda humildade e com muitas dúvidas se realmente mereço) é ser visto, por muitos amigos e amigas, como uma espécie de *referência* quando o assunto é, nada mais nada menos, Guimarães Rosa.

Mas: *a coragem que não faltasse; para engulir, a pôlpa de buriti e carnes de rês brava*. Foi nessa culinária sertaneja que a caríssima Letícia Massula me *reencontrou*, depois de um bom par de anos (décadas?).

É, pra mim, uma honra sem tamanho, uma *homenagem* que, sinceramente, encaro como uma responsabilidade que, de certa forma, tomei pra mim mas não sei o quanto sou capaz de corresponder. *As coisas assim a gente não perde nem abarca. Cabem é no brilho da noite. Aragem do sagrado. Absolutas estrelas.*

Mas daqui, da telinha do computador, e no meio do asfalto desse sertão urbano, a Letícia resgata os buritis das veredas pra me alegrar o dia. *Tudo, aliás, é a ponta de um mistério, inclusive os fatos. Ou a ausência deles. Duvida? Quando nada acontece há um milagre que não estamos vendo.*

Ou, ainda: *viver é etecetera*. *O real não está na saída nem na chegada. Ele se dispõe para a gente é no meio da travessia.*

Só me resta agradecer, de coração, ao carinho e à lembrança da Letícia (e de tantos outros amigos e amigas). E saudar, sempre e mais e mais, o Mestre Guimarães Rosa, eterno nesse universo único que ele criou, mas que criou vida própria e se re-significa a todo momento, nas letras, nas bifurcações desses nossos (des)caminhos, nos redemunhos da vida — ou numa receita culinária.

*A vida também é para ser lida. Não literalmente, mas em seu supra-senso. E a gente por enquanto, só lê por linhas tortas.*

Ah! E, claro, a receita da Letícia tá lá na Cozinha da Matilde.