Escolha uma Página

Há poucos dias, um amigo recente (mas daqueles que a gente tem a impressão que já conhece há décadas) me mandou uma mensagem:

Fala, Bica. Tudo certo?
Você ou a Rose conhecem algum cursinho pré-vestibular popular (voluntário) aqui em Jacareí, ou alguma coisa nesse sentido?

Era o Bruno Vilagra (detalhe: o cara é doutor em História pela USP). Comentei com a Rose e não conseguimos nos lembrar de nenhuma iniciativa desse tipo por aqui. Até que ontem, inesperada e coincidentemente, um ex-aluno dela, o Victor Rodrigues, mandou outra mensagem:

Deixa eu te falar: eu e o Gabriel Belém estamos tentando montar um projeto de cursinho pré-vestibulinho pra alunos carentes aqui em Jacareí. Pra ajudar a estudar a entrar na escola da Embraer, Escola Agrícola, IFSP, Senai, essas escolas…
Aí estamos tentando encontrar pessoas que se disponham a ajudar, com materiais, dando aula, organizando os planos de aula, cedendo espaço etc.

Sincronicidade, conjunção astral, sintonia de gente que tá a fim de fazer algo: seja o que for, na hora lembramos do Bruno e repassamos a mensagem. Como esperado, ele respondeu de presto:

Oi, Rose, tudo bem?
Nossa, muito legal essa ideia deles! Eu tenho muita vontade de ajudar sim. Estou procurando lugares para atuar como voluntário, mas na região é bem difícil. Até pensei no Escola da Família, mas não tem muita coisa na área de cursinhos e tal.
Bom, se você puder nos colocar em contato, eu ficaria muito agradecido.
Beijos!

Também fizemos contato com outra amiga, que igualmente se dispôs:

Nossa, Rô, que legal!
Faço questão de ajudar como puder. Volto na sexta, daí a gente conversa melhor.
Bjo, lindeza.

Matutamos aqui em outras pessoas e, com relação a possíveis locais pras aulas, pensei de cara em ONGs ou instituições beneficentes. Comentei com outra amiga, que já alimentou mais a ideia e lembrou de sindicatos, comentando que outro amigo tem bons contatos nessa área. Repassei a mensagem pra ele, que também se dispôs a ajudar no que der.

Tudo isso em cinco minutos. Enquanto pensávamos em outros potenciais nomes pra acionar, a Rose ficou impressionada com a mobilização rápida, e eu comentei que era essa a motivação fundamental de uma *rede social* que prezasse pelo nome — ingenuidade minha, claro, mas ainda sigo lamentando o caráter meramente comercial e marketístico que as redes ganharam. Mais que as redes: a internet, que sempre sonhamos como uma ferramente poderosíssima de colaboração e de disseminação livre do conhecimento, como sempre e ainda defendemos nós, uns Quixotes cibernéticos (impossível não lembrar dos caríssimos EfeEfe, HDimantas, o saudoso DPádua e incontáveis outros e outras metareciclentos…).

A Rose, contente pela repercussão e adesão quase imediatas de algumas pessoas, ficou mais do que contente, claro. Completei, enfim, que ela foi um dos *nós* que serviu pra amarrar outros nós e, assim, dar início a uma (pequena, inicialmente) rede que, temos certeza, vai render ainda belos frutos.

* * *

P.S.: o Gabriel Belém, que o Victor citou no começo do papo, ganhou uma repercussão bacana quando começou a vender *geladinhos* para estudar na USP. Essa semana saiu o resultado da segunda fase: ele passou em primeiro lugar em Gestão de Ciências Públicas. Aos 17 anos, ingressou na universidade pelo Sisu.